Corrupção

Cerveró diz ter angariado propina para Delcídio, Renan e Jader

Cerveró diz ter angariado propina para Delcídio, Renan e Jader. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Cerveró diz ter angariado propina para Delcídio, Renan e Jader. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse em depoimento aos procuradores que investigam os desvios de dinheiro da Petrobras que intermediou o pagamento de propina aos senadores Renan Calheiros (PMDB), Jader Barbalho (PMDB) e Delcídio do Amaral (PT).

A declaração foi feita na delação premiada que o ex-executivo da estatal negociou com a Procuradoria Geral da República (PGR), em troca de redução de penas nos processos a que responde na Operação Lava Jato.

Repasse
Cerveró disse que se comprometeu a repassar US$ 2,5 milhões ao senador Delcídio do Amaral, por diversos contratos firmados na área internacional da Petrobras. Ele também afirmou que ajudou a destinar US$ 6 milhões de propina para Renan Calheiros e Jader Barbalho. Entre os contratos suspeitos está a construção de navios-sonda e a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Proximidade com políticos
Cerveró disse que mantinha proximidade com Delcídio desde quando o senador trabalhava na Petrobras. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Delcídio chegou a ocupar a diretoria de Gás e Energia. Segundo o delator, o senador recebeu propina em pelo menos dois contratos firmados entre multinacionais e a estatal brasileira. O ex-diretor da Petrobras disse que em uma das oportunidades recebeu entre US$ 600 mil e US$ 700 mil de propina. Ele acredita que Delcídio tenha recebido uma propina maior, já que era superior hierárquico na diretoria de Gás e Energia.

Em um jantar na casa de Jader Barbalho, Cerveró teria assumido o compromisso de repassar US$ 6 milhões para o PMDB, com a contratação de dois navios-sonda pela estatal. Na ocasião, o também senador Renan Calheiros estava presente. Segundo o delator, o dinheiro chegou a ser repassado e ajudou o partido na campanha de 2006.

PMDB
No depoimento, Cerveró diz que em 2007 o cargo ficou ameaçado por manobras políticas de membros do PMDB para destitui-lo. Após procurar Rondeau, Jader e Renan, obteve apenas negativas, pois todos estavam politicamente fragilizados, em virtude de escândalos de corrupção envolvendo os nomes deles. Ao receber a notícia da exoneração, feita pessoalmente pelo então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ainda em 2007, disse que ele seria indicado para a diretoria financeira da BR Distribuidora – uma subsidiária da Petrobras –, em virtude do reconhecimento dos esforços para ajudar a angariar os recursos que o PMDB. Cerveró comandou a diretoria até 2014, quando a presidente Dilma Rousseff o exonerou, devido às descobertas de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena.

Outro lado
Todos os nomes citados na reportagem foram procurados pela reportagem. No entanto, até a última atualização deste post, nenhuma das pessoas ou os respectivos advogados havia sido encontrado.

Com informações do G1


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