Ceará

Ciro diz que aliança com Eunício é “improvável” e “desmoralizante”

Ciro diz que aliança com Eunício é “improvável” e “desmoralizante”. Foto: Kézya Diniz

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) avalia que uma aproximação entre seu grupo político e o senador Eunício Oliveira (PMDB) é “improvável” e “desmoralizante” para o peemedebista.

Em entrevista nesta quarta-feira (20), no Aeroporto Pinto Martins, Ciro tentou afastar as especulações e revelou os bastidores que motivaram a aproximação entre o governador Camilo Santana e o presidente do Congresso.

“O que tem aí, para a população ficar sabendo com clareza, é de que todos os recursos do Ceará, da seca, da saúde, da educação, da segurança pública… Tá tudo seguro em Brasília. Tudo amarrado. E o nosso governador Camilo Santana (PT) procurou o senador Eunício Oliveira para fazer um apelo a ele, da posição em que ele está, de presidente do Congresso Nacional, de que não faça isso. Que libere os recursos porque uma coisa é a política, outra coisa é o interesse do nosso povo que não pode tá sofrendo por conta de briga política”, disse dando a entender que Eunício estaria “segurando” repasses para dificultar a gestão de Camilo.

“Na medida em que ele (Eunício), eventualmente, atender a esse apelo, evidentemente, haverá a expressão do governador, e é isso a única coisa que está acontecendo no momento”, completou o pedetista.

Aliança eleitoral
Questionado sobre a aproximação para uma eventual aliança eleitoral em 2018, Ciro afastou a possibilidade afirmando que a composição é “desmoralizante” para Eunício e não interessa ao grupo político do qual faz parte.

“Não é provável. Claro que todo mundo sabe que a política tem dessas contradições, mas é muito, muito improvável que isso aconteça. A distância entre nós é muito grande, é muito grave. Tudo que aconteceu nesse período todo, é desmoralizante para ele (Eunício) e pra nós não há razão para isso na minha opinião”, enfatizou.

Cid
No final de semana, em evento do PDT, na cidade de Ipueiras, o ex-governador Cid Gomes havia comentado as articulações de uma possível aproximação, afirmando que a decisão caberá a Camilo Santana. “Quem decide é ele [Camilo]. E o que ele decidir estou aqui para ajudar. Eu não sou de ficar criando dificuldades”, admitiu Cid no último sábado (16).

Jantar
O ex-governador, no entanto, não confirmou sua participação nas negociações e disse que as “sondagens de parte a parte” aconteceram sem a presença dele. “O Camilo junto com o Roberto Cláudio procuraram o Eunício para pedir ajuda para eles, para viabilizar financiamentos, aí, nessa conversa, pode ter  havido alguma sondagem de parte a parte e isso está em processo”.

Ao revelar o encontro, Cid ressaltou que não vai criar dificuldades para a aliança e que a decisão está nas mãos de Camilo. “Repito, quem decide é ele e o que ele decidir eu tô pra ajudar. Eu não sou de ficar criando dificuldade”, disse.

De volta
O grupo de Cid rompeu com Eunício nas eleições de 2014, quando o então governador não quis apoiar a candidatura do peemedebista ao Palácio da Abolição. De lá para cá, ataques mútuos dominaram o debate, sobretudo nos períodos eleitorais. Sobre a retomada da aliança, Cid ponderou que será necessário avaliar o discurso. “Como é que um dia desses aí a gente estava falando uma coisa e no dia seguinte a gente muda completamente de opinião? Eu acho que não pode ser assim”, avaliou.

Reconciliação
A reconciliação, no entanto, parece estar nos planos do grupo e, em discurso, o ex-governador deixou clara a possibilidade. “Apoio a gente sabe que a gente tem que receber de todo o mundo. E isso não quer dizer que a gente vai se comprometer, ou que vai sair daquilo que é a nossa linha, nosso projeto, nosso pensamento. Mas se uma pessoa quer apoiar a gente, por que faz sentido recusar apoio?”, ponderou.

Com informações de Tarcísio Colares


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