Entrevista

“Começo de 2013 será decisivo para Dilma” para uma reeleição sem sustos, avalia Eduardo Campos

‘Começo de 2013 será decisivo para Dilma’. Eduardo Campos acha que presidente precisa arrumar logo o País, se quiser se reeleger sem sustos. Foto: Roberto Stuckert/Presidência

Os primeiros 90 dias do próximo ano serão decisivos para que Dilma Rousseff conquiste a reeleição para a presidência da República sem “sustos”. É essa a avaliação que o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, faz da aliada de hoje e provável adversária na eleição de 2014. A declaração foi feita durante entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. Acompanhe.

Aliado ou Adversário
Grande vitorioso das eleições de outubro, o governador pernambucano Eduardo Campos – aos 47 anos, pai de quatro filhos, neto de um ícone das esquerdas, Miguel Arraes – vive um momento desafiador. Seu PSB, que ele preside desde 2005, acaba de eleger 433 prefeitos – mais que todos os rivais. Seu candidato derrotou o de Lula no Recife – um tradicional quintal do ex-presidente. Seu nome já é citado como presidenciável para 2014.

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Em resumo
Seu dilema é como seguir crescendo e, ao mesmo tempo, preservar as alianças e sua antiga amizade com Lula e com a presidente Dilma Rousseff. Qual o ponto de equilíbrio? “Os 90 dias iniciais de 2013 serão decisivos para o governo Dilma”, disse ele à coluna numa longa conversa em São Paulo, na semana passada. “Se ela ganhar 2013, 2014 já começa praticamente resolvido, sem sobressaltos”. Mas ele adverte: a pauta da microeconomia “já está esgotada”. O Estado “não pode dar um cavalo de pau nas regras”. O consumo “não terá a mesma importância dos últimos seis anos”. E é preciso conquistar o empresariado para um projeto de crescimento – coisa que a presidente Dilma tem de fazer “com atitudes e palavras”.

PT x PSB
Campos também fala sobre a aliança entre PT e PBS, o crescimento de seu partidos e as disputas em Fortaleza e Recife. O PSB levou a melhor nas duas capitais.  Acompanhe alguns trechos da entrevista:

O sr. acaba de desbancar o lulismo na terra de Lula, lançou um candidato novo e venceu. Criou-se agora uma nova paisagem política em Pernambuco, em que o PT perde a liderança?
A leitura da eleição é que o PSB teve um crescimento acima até do que a gente esperava. Esse crescimento vem ocorrendo em eleições repetidas. Fizemos um planejamento estratégico para crescer não só no Norte e Nordeste, mas em todo o Brasil. Crescer em grandes cidades para animar o ingresso na política de novos quadros.

Confrontar o PT foi uma decisão pensada? Até onde o PSB quer chegar?
No Recife, como em Fortaleza, o pensamento inicial não era ter candidato, tínhamos uma aliança já de 12 anos no Recife, mas o PT sofreu desgaste de uma disputa interminável. Não se trata de desbancar o Lula, de forma alguma. As pessoas queriam paz, trabalho e resultado. Perceberam que nosso candidato falava de maneira adequada, tinha experiência e tinha nosso apoio. Acho que ele vai surpreender positivamente, vai criar um novo paradigma de como deve ser um prefeito.

Quais os próximos passos do PSB, depois das vitórias de outubro?
O cenário de 2014 vai depender muito do que acontecer em 2013. Acho que nossa tarefa, enquanto base de sustentação da presidente Dilma, é ajudá-la a ganhar o ano de 2013, o que será bom para o Brasil e para ela. Se ela ganha 2013, 2014 já começa praticamente resolvido. É isso, o desenho de 2014 tem relação direta com o que ocorrer no ano que vem. Aí a reeleição será de um governo aprovado, coisa quase natural, sem sobressalto.

E se ela não ganhar 2013? Se em dezembro próximo estiver como agora, por exemplo?
Não vamos jogar a toalha, o ano sequer começou. É preciso “ir pra cima”, nossa parte é ajudar e a do governo é dizer como nós podemos ajudar. Poderemos dar ideias?Isso exige um bom diálogo. E o de agora, como o sr. assinalou, não é o ideal. A gente tem de ter objetividade. Os 90 dias iniciais do ano que vem serão decisivos para 2014. É preciso desfazer essa impressão sobre as mexidas feitas, mostrar que o sentimento do governo não é intervencionista. Se não deixar isso claro, essa impressão de agora vai atrapalhar 2013. Nós podemos ajudar, mas quem pode zerar isso é exatamente o governo, é a presidente.

Para ler a entrevista completa, clique aqui.


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