Conexão Assembleia

Conexão Assembleia destaca impacto das fake news no cenário político

Conexão Assembleia destaca impacto das fake news no cenário político

O programa Conexão Assembleia, da rádio FM Assembleia (96,7MHz), conversou, nesta segunda-feira (06/09), com historiador cearense, doutor e estudioso de história política e ditadura militar Airton de Farias, que falou sobre o cenário político brasileiro, eleições e o impacto das fake news.

O professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE) avaliou as eleições de 2018 e a vasta distribuição de notícias falsas. Para o pesquisador, os meios de comunicação, no século XX, foram fundamentais e ainda são, para informar e levar a verdade ao público. “De repente temos o “boom” da internet. Agora, onde está a verdade? Está nos meios de comunicação tradicionais ou no grupo de Whatsapp?”, questionou.

Airton Farias explicou que esse “boom” da internet foi captado por grupos políticos, que perceberam rapidamente a capacidade de difusão de informação, muitas vezes mentiras, que as redes sociais permitiam.

“Não são pessoas que não tiveram instrução formal. São pessoas que sabem o que estão fazendo, e isso nos leva a outra questão: Até onde a sociedade tolera a mentira? Não são pessoas que não sabem a verdade, são doutores, médicos, advogados, jornalistas, que difundem essas mentiras porque entendem que aquelas informações são interessantes para o seu ponto de vista”, salientou.

Segundo o estudioso, o Poder Judiciário foi omisso nas eleições de 2018, já que ficou clara a maneira que notícias falsas estavam se espalhando. “O Judiciário não tomou as medidas possíveis que poderia ter feito, e as fake news continuaram se espalhando durante todo o período eleitoral em 2018. As pessoas precisam entender e aprender a não ser tolerantes com notícias falsas”, frisou.

Ditadura
Sobre a ditadura militar, o historiador destacou a publicação “Para Além das Armas”, obra de autoria dele, lançada pelo Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp). O livro é fruto da sua pesquisa de mestrado e traz temas relevantes para a compreensão dos chamados “anos de chumbo” no Brasil, a partir das lutas e resistências dos militantes da esquerda organizada contra a ditadura militar do Brasil.

“É claro que falar de luta armada não implica contemporizar, achar que é uma luta do bem contra o mal. São homens e mulheres que cometem acertos e cometem equívocos. Ao mesmo tempo, dizer que existiu luta armada não significa justificar o período militar”, pontuou.

Na análise do professor, a ditadura não perseguiu só quem fez luta armada. “O Partido Comunista, o PCB, foi contra a luta armada e teve militantes presos, mortos. Na Itália e Alemanha, houve grupos armados ainda mais radicais, e nem por isso houve ditadura militar”, afirmou.

Futebol
Airton de Farias também se especializou em pesquisar a história do esporte, sobretudo o futebol. Ele é autor do livro “Uma História das Copas do Mundo”, em que contextualiza o momento histórico e político de cada edição do torneio e como o futebol foi utilizado por diferentes governos. Além disso, produziu uma trilogia sobre os três principais clubes cearenses – Ceará, Fortaleza e Ferroviário.

O futebol é um microcosmo do que acontece na sociedade, avaliou o historiador. “Não é só falar do futebol em si, mas entender o futebol como um processo cultural, histórico, social. Através do futebol e do esporte, é possível entender muito bem o mundo nos últimos 120 anos. Questões políticas estão presentes no futebol, questões étnicas, questões de sexualidade; o uso que o esporte teve em Copas do Mundo e Jogos Olímpicos. O resultado é importante, mas compreender o extracampo é mais interessante do que o que acontece em campo”, analisou.

História
Airton de Farias é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e, atualmente, realiza pós-doutorado na Universidade Federal do Ceará. Sua mais recente pesquisa é sobre um grupo de extrema direita que cometeu atentados com bombas em Fortaleza, na década de 1980. Na época, o Brasil encontrava-se no final da ditadura militar, e esses grupos buscavam evitar a abertura – tema ainda pouco abordado sobre a história daquele período.

Conexão
Conexão Assembleia é um programa multiplataforma da rádio FM Assembleia (96,7MHz), transmitido nas redes sociais da Assembleia Legislativa do Ceará, no Youtube e no Facebook, às segundas-feiras, a partir das 8h. A produção é veiculada também na TV Assembleia, nas segundas-feiras, às 20h30, e fica disponível no podcast rádio emissora. Basta procurar o canal nas principais plataformas de áudio, como Spotify, Deezer, Apple Podcasts e Google Podcasts.

Apresentado pela jornalista, Kézya Diniz, o Conexão Assembleia conta com produção de Layanna Vasconcelos e Tarciana Campos; direção de vídeo de Rodrigo Lima; coordenação de programação e áudio, Ronaldo César e supervisão do gerente geral da Rádio FM Assembleia, Rafael Luis Azevedo.

O Conexão Assembleia é veiculado na rádio FM Assembleia, no Youtube e no Facebook da Assembleia Legislativa, a partir das 8h, e na TV Assembleia, às 20h30. O programa é por videoconferência, com profissionais e entrevistados seguindo os protocolos de segurança.


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