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Convênio suspeito beneficiou empresas de filiados do PDT

Ministro Carlos Lupi (à direita) é abraçado pelo presidente nacional do PDT em exercício, André Figueredo

Mais um caso de repasses suspeitos envolvendo o Ministério do Trabalho promete agitar o noticiário político. Uma ONG de Santa Catarina, presidida por um pedetista, usou verbas do ministério para beneficiar empresas de filiados ao PDT.

A informação é da Folha de São Paulo deste sábado (12). Com base em um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União), o jornal afirma que muitos dos serviços não foram prestados ou foram pagos em duplicidade. O documento analisa um convênio entre o ministério e a Adrvale (Agência de Desenvolvimento do Vale do Rio Tijucas e Rio Itajaí Mirim), de R$ 6,9 milhões, firmado em 2007, na gestão Carlos Lupi.

O ministro, que nega corrupção no Trabalho, é presidente licenciado do PDT, atualmente comandado pelo deputado federal André Figueiredo, do Ceará.

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O convênio tornou-se alvo de um inquérito da Polícia Federal por irregularidades em licitações. Mesmo com o inquérito aberto, o ministro Carlos Lupi beneficiou pessoalmente a Adrvale ao comparecer no evento para a assinatura de outros dois convênios. A CGU fez sua auditoria em maio de 2008, no início da vigência do convênio. A tentativa era apurar a suspeita de desvios de verbas. Naquele momento, a ONG havia gasto R$ 1,1 milhão do total (valor atualizado) de R$ 6,9 milhões.

A CGU calculou que o prejuízo ao erário chegava a 50% do total gasto. Parte do dinheiro acabou em empresas de militantes do PDT ou de funcionários e familiares de membros da ONG.