Bastidores

Delcídio diz que Dilma tentou interferir na Lava Jato

Em delação, o senador também afirma que o ex-presidente Lula foi o responsável por marcar a reunião entre o filho de Nestor Cerveró, Bernardo, que o levou à prisão
Em delação, o senador também afirma que o ex-presidente Lula foi o responsável por marcar a reunião entre o filho de Nestor Cerveró, Bernardo, que o levou à prisão

O senador Delcídio Amaral (preso na operação Lava Jato) acusou a presidente Dilma Rousseff de atuar três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. A informação é da revista IstoÉ.

“É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, teria afirmado Delcídio na delação em delação premiada. Cardozo deixou esta semana o Ministério da Justiça alegando sofrer pressões do PT.

Segundo Delcídio, uma das investidas da presidente Dilma passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Tal nomeação seria relevante para o governo”, pois o nomeado cuidaria dos habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ”, afirma a reportagem.

Delcídio contou aos procuradores que a estratégia foi discutida com Dilma no Palácio da Alvorada e que sua tarefa era conversar “com o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez.

Gravado
Ainda de acordo com a IstoÉ, Delcídio se reuniu com Navarro no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança. No STJ, Navarro cumpriu a suposta orientação, mas foi voto vencido.

Lula
Na deleção de 400 páginas, Delcídio citou vários nomes, entre eles o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e detalhou os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, entre outros assuntos. Lula também teria sido o responsável por marcar a conversa entre o senador e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, preso pela Lava Jato. O encontro foi gravado e levou o senador à prisão. Ele foi solto há menos de um mês, mas não antes de prestar depoimento à Polícia Federal.

Com informações da IstoÉ


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