Ceará

Deputados cearenses divergem sobre recesso branco

Sabino defende o recesso e diz que a distância geográfica prejudica a articulação dos parlamentares junto às bases eleitorais. Foto: Câmara dos Deputados

Em anos eleitorais, parlamentares com mandatos tendem a requisitar dos comandos das Casas legislativas o chamado recesso branco.

Esse é um período em que Câmara Federal, Senado, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais continuam abertos, mas, normalmente não há sessões deliberativas e a presença do parlamentar não é cobrada.

Ao invés de “bater ponto” no parlamento, os políticos caem em campo para intensificar o corpo a corpo com o eleitor em suas bases.

Por outro lado, com a influência das TVs legislativas e a ampla cobertura que a imprensa dá aos parlamentos, a “folga” para visitar as bases nem sempre é vista como o melhor caminho. Afinal, a exposição na mídia pode ter uma amplitude maior. Talvez, por isso, o recesso branco não seja uma unanimidade entre os políticos ouvidos pela reportagem.

André
O deputado federal André Figueiredo (PDT) reconhece que o ano eleitoral mexe com a rotina dos parlamentares, mas descarta a necessidade de uma pausa extra. “É claro que algumas atividades no interior são intensificadas nesse período e, consequentemente, viagens que demandam mais tempo de deslocamento. No entanto, para nós, que estamos sempre presentes e atuantes nos municípios durante todo o decorrer do mandato, não é necessário parar o trabalho legislativo de votações para que a gente esteja perto do eleitor, ouvindo suas demandas e sugestões de alternativas para o nosso Brasil”, pondera.

O parlamentar, que deve disputar a renovação do mandato para a Câmara Federal, diz que é possível conciliar a agenda de atividades com a campanha política sem prejuízo para o exercício parlamentar. “Podemos, perfeitamente, conciliar votações importantes para o País e fazer nosso trabalho parlamentar também no estado, percorrendo municípios. Já fazemos isso desde o início do mandato, temos assiduidade de votações e presença constante com nossos eleitores em quilômetros e quilômetros percorridos mensalmente em nosso estado”, ressalta.

Luizianne
O entendimento é o mesmo da deputada federal Luizianne Lins (PT). “Considero desnecessário. É perfeitamente possível os parlamentares participarem das sessões terças e quartas e se dedicarem as suas campanhas nos demais dias da semana. A própria produção legislativa é uma referência do nosso trabalho para os eleitores”, avalia a petista.

Sabino
Já o líder da bancada federal cearense, deputado Cabo Sabino (ainda no PR e em transição para o PHS) discorda dos colegas e aponta a necessidade da pausa extra em ano eleitoral. “O recesso branco é necessário sim, principalmente para todos aqueles que vão para uma reeleição. Vamos ter uma campanha de 45 dias, onde não dá para o candidato visitar todas as bases apenas nesse período. E para aqueles que estão no mandato de deputado federal, já existe, hoje, para a grande maioria, um desgaste grande na opinião popular e do eleitorado. Então, já tem um distanciamento grande que é de segunda à quinta, que ficamos em Brasília”, considera.

Para ele, a distância geográfica prejudica a articulação dos parlamentares junto às bases eleitorais. “Sem o recesso, isso traz prejuízos de aproximação dos parlamentares com a base e seus eleitorados. Há a necessidade sim, desse recesso para que possamos nos aproximar na questão de dedicação com relação aqueles candidatos que vão concorrer, por exemplo, a deputado federal, mas estão no Ceará”, enfatiza.

ALEC
A alternativa, pelo que avaliam os parlamentares, seria trocar o recesso branco pelo chamado “esforço concentrado”, no mês de setembro. Assim como aconteceu em outros anos eleitorais, os deputados concentrariam debates e votações em dois dias da semana e ficariam “livres” para as campanhas nos outros dias. Até o momento não há nenhuma deliberação nesse sentido.

Férrer
E em meio ao debate, o deputado Heitor Férrer (PSB), que disputará a reeleição para uma das vagas na Assembleia Legislativa, aponta que a única certeza, no entanto, é que este será um ano curto para o parlamento estadual. “A Copa do Mundo, de certa forma, antecede o recesso. Ela começa em 14 de junho e termina em 15 de julho, quando se inicia o recesso na Assembleia. Como é ano de eleição, em setembro sempre temos um recesso branco por conta da necessidade de visitas pelos deputados a seus colégios eleitorais. O ano legislativo diminui”, explica Férrer.

Elmano
Elmano de Freitas, deputado estadual pelo PT, pondera sobre a necessidade de manter a Casa funcionando. “O povo do Ceará nos paga para irmos as sessões da Assembleia. Eu acho que nós temos que garantir que a Assembleia Legislativa funcione, que tenhamos as votações das matérias, que a gente debata os assuntos importantes para o povo do Ceará e, ao mesmo tempo a gente faça o trabalho político”.

O petista, no entanto, chama atenção para o envolvimento dos parlamentares no processo eleitoral e ressalta a necessidade de uma “adequação” para o período. “Efetivamente, no mês de setembro, em um ano de eleição, eu acho que nós vamos ter que discutir o funcionamento da Casa porque, evidentemente, todos nós vamos estar envolvidos nas nossas eleições e nas eleições de governador e presidente da República. E faz parte da tarefa do mandato, também, fazer um debate político com a sociedade. Então, em setembro sim. Eu creio que nós devemos ter, não o recesso branco, mas uma adequação do nosso trabalho ao período eleitoral”, destaca.

Com informações do OE


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