Ceará

Deputados cearenses dizem que lista “decreta a morte” da política

Lista de abertura de inquérito autorizada por Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, causou reações no meio político

A divulgação da lista de investigados na Operação Lava-Jato, com base nas delações da Odebrecht, foi o principal tema de comentário, na quarta-feira (12), no meio político.

O atual momento político dominou os debates na Assembleia Legislativa. O deputado Fernando Hugo (PP) afirmou que a República está “morta”, pois envolve membros dos mais diversos cargos públicos.

“A lista de investigados abrange praticamente todos os partidos brasileiros. Como as pessoas vão acreditar na política?”, questionou Fernando Hugo, acrescentando que “de uma tacada só, abre-se inquérito contra um terço dos ministros do Governo Federal, senadores, governadores e deputados. Como essas mesmas pessoas poderão ser responsáveis por uma reforma política? Não há mais credibilidade”.

Lista
Com autorização do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), 80 políticos, com foro privilegiado, serão investigados. A lista envolvendo 108 nomes, entre eles oito ministros do governo Michel Temer, três governadores em exercício, 24 senadores e 39 deputados federais.

Leia aqui: Fachin autoriza investigação de 9 ministros, 29 senadores, 42 deputados e 3 governadores

Sem credibilidade
Para Fernando Hugo, a falta de credibilidade se espalhará por toda a categoria de políticos. Fernando Hugo disse considerar improvável que os investigados sejam julgados e condenados. Ele ressaltou também que, para a política do País melhorar, o povo também precisa mudar. “As pessoas ainda querem discutir política, querem falar sobre a Previdência, mas precisam aprender a votar também”, destacou ele.

Limpeza
Na mesma linha, Dra. Silvana (PMDB) disse lamentar o ocorrido e afirmou temer que as inúmeras denúncias de corrupção faça com que as pessoas esqueçam o que é a verdadeira política. “Estamos passando por um período de limpeza, em que é preciso que essas investigações aconteçam e os culpados sejam penalizados”, disse.

Reformas
O deputado Leonardo Araújo (PMDB) ponderou que as pessoas ainda se interessem pela política e queiram discutir o futuro, inclusive no que diz respeito à Previdência. “As modificações são necessárias, e as pessoas sabem disso. O que não é justo é que elas paguem por essa conta. Precisamos que mais assembleias reverberem os desejos do povo”, defendeu.

“Profunda”
Já o deputado Dr. Santana (PT) externou preocupação com o regime político brasileiro, que, segundo ele, teve a morte decretada. “Essa denúncia feita por Fachin é superficial até o momento. Ela é muito mais profunda e atinge pelo menos 90% do nosso parlamento. Quem disse isso foi o próprio pai de Marcelo Odebrecht (ex-presidente e herdeiro do grupo empresarial Odebrecht)”.

Contaminação
Na avaliação do parlamentar, as denúncias revelam a fragilidade da democracia e a manipulação da vontade soberana do povo por corrupção do sistema eleitoral brasileiro. “Precisamos encontrar uma saída para nossas instituições, para essa contaminação. São mais de 320 nomes que estão sob análise, e o que se vê agora é que chega aos Tribunais de Contas, ultrapassa Legislativo e Executivo e mostra que a política nasceu contaminada desde o começo”, enfatizou.

Mudança
O petista defende mudanças na legislação brasileira, sobretudo eleitoral. “Mas essas mudanças só podem vir de uma Constituinte exclusiva. Deputados eleitos sem o financiamento da campanhas, que tenham legitimidade popular para fazer as mudanças necessárias”, avaliou.

Dr. Santana acredita que a composição atual do Congresso Nacional não tem legitimidade para fazer alterações na Constituição Federal. “Esse Congresso que está aí, ao tentar uma reforma política, vai legislar em causa própria. Vai procurar se proteger e defender e garantir a sua reeleição. Então, ele não tem autoridade política para fazer as mudanças necessárias”, disse.

Juventude
O deputado Walter Cavalcante (PP) disse que é importante incentivar a juventude a entrar na vida pública. “Temos que mostrar que eles têm que levar esse bastão. Precisamos estimular a juventude, para que ela entenda que é na vida pública que se pode mudar os costumes e qualquer orientação que existe nesse País”, afirmou.

Ciro Gomes
Fora da chamada “lista de Fachin”, o ex-ministro Ciro Gomes usou as redes sociais para comentar as diversas manifestações recebidas pelo fato de ser um dos poucos políticos a não constar na lista que serão investigados com base nas delações da Odebrecht. Para ele, o mais importante não é o fato dele estar fora da lista, mas a observação do “esforço dos piores bandidos da política de tentar generalizar, ou seja, parece que todos têm culpa, pois, desta maneira, para o povão não resta alternativa senão aceitar com dedo no nariz que a política é essa ambiente de corrupção”. E defendeu que é preciso tratar de forma diferente os acusados de receber doações e os que efetivamente praticaram atos de corrupção.

Com informações do OE


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