Em Brasília

Deputados e senadores cearenses seguem tramitação da reforma Previdenciária

Chico Lopes acusa governo de usar reforma da Previdência como “cortina de fumaça”

A discussão do relatório do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) sobre a reforma da Previdência começa na terça-feira (25), na comissão especial da Câmara dos Deputados, com o compromisso de não haver obstrução por parte da oposição.

Parlamentares cearenses afirmam que vão acompanhar atentamente cada detalhe da discussão para “denunciar” possíveis prejuízos à população.

Acordo
Na semana passada, um acordo foi selado entre governistas e opositores. Os deputados oposicionistas preferiram negociar com o governo mais tempo para debater o texto, deixando de usar instrumentos como os requerimentos de adiamento da discussão. Mas eles prometem usar todos os outros instrumentos regimentais, como, por exemplo, a necessidade de presença mínima em plenário nas votações.

“Cortina”
O deputado federal Chico Lopes (PCdoB) ressalta que está de olho na discussão, pois, segundo ele, o projeto de reforma da Previdência seria a “cortina de fumaça” necessária para que a reforma trabalhista seja aprovada sem debate com a sociedade, com facilidade para o corte de direitos históricos do trabalhador, consagrados desde a Consolidação das Leis Trabalhistas.

“A reforma da Previdência virou uma espécie de cortina de fumaça. Só se discute reforma da Previdência. Só se fala na reforma da Previdência. Está fora a reforma trabalhista. Isso é muito bom assim’. É verdade que o senhor tenha dito isso?”, questiona ele, complementando que “porque uma coisa séria dessa, achar que uma outra reforma vai tapar o sol com a peneira… Se é verdade que o senhor disse, é um escárnio com a grande massa trabalhadora e com o próprio parlamento”. “Precisamos estar mobilizados para derrotar as duas reformas!”, disse o parlamentar fazendo referência também a reforma trabalhista.

“Maldade”
A deputada federal Luizianne Lins (PT) também criticou a proposta de reforma da Previdência, destacando “a maldade do governo Temer ao atingir principalmente os mais pobres”. “Por mais que o governo Temer tente fazer redução de danos, vai ser difícil o governo dizer o porquê de tanta maldade, o porquê de tanta crueldade contra o povo brasileiro. Isso, levando em conta que a Previdência pública é hoje a maior política social que compõe o sistema de proteção social neste País de dimensão continental e, ao mesmo, com tanta desigualdade social”, afirmou a petista.

Luizianne também lembrou que o Governo recuou em alguns pontos, mas que “nem de longe” representam avanço na proposta. “Esse recuo só mostra a farsa do argumento técnico e econômico”, disparou a petista.

CPI
A reforma previdenciária também estará entre os principais projetos em discussão pelos senadores. Isto porque a Comissão Parlamentar de Inquérito da Previdência Social poderá ser instalada, esta semana, no Senado Federal. O senador cearense José Pimentel (PT) integrará a comissão. O colegiado será composto por sete titulares e cinco suplentes, com prazo de 120 dias de funcionamento. O objetivo da CPI é identificar a origem do chamado déficit da previdência, usado pelo governo Temer para justificar a proposta de reforma da previdência que está em debate no Congresso Nacional (PEC 287/2016).

“Rombo”
Segundo Pimentel, a CPI tem papel fundamental, no momento em que o governo Temer usa o argumento do déficit nas contas para promover uma reforma que prejudica todos os trabalhadores brasileiros, especialmente os mais pobres. “Nós precisamos saber como o governo golpista do presidente Temer deu um rombo de R$ 46 bilhões na previdência urbana que agora querem debitar na conta dos trabalhadores”, afirmou. “A CPI vai colocar luz sobre o que temos dito incessantemente nesta tribuna. Não há déficit na Seguridade Social”, disse o parlamentar.

Com informações do OE


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