Corrupção

Desvios de escolas abasteceram campanha de Richa, diz delator

Desvios de escolas abasteceram campanha de Richa, diz delator.
Foto: Ricardo Almeida/ANPr

O dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, disse em acordo de delação premiada com o Procuradoria-Geral da República que pagou R$ 12 milhões de propina a um intermediário do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

Parte dos recursos foi entregue, segundo o delator, em um banheiro de uma secretaria e também camuflado em caixas de garrafas de vinho.

Nesse montante está incluída uma mesada de R$ 100 mil paga em 2015, segundo Souza, que abasteceria as campanhas de Beto, de seu irmão e de seu filho em 2018. O governador nega as acusações.

Intermediário
O intermediário do governador apontado pelo empreiteiro é Maurício Fanini, amigo de Richa que foi nomeado por ele diretor da Sude (Superintendência de Desenvolvimento Educacional), braço da Secretaria Estadual de Educação. Fanini é ligado a desvios de cerca de R$ 20 milhões da construção de escolas públicas, segundo dados da Operação Quadro Negro.

Delação
A reportagem teve acesso à delação. Outra reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta sexta (1º) mostra que o mesmo delator também citou o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Fanini chegou a ser preso devido ao seu envolvimento no esquema e é apontado pelos investigadores da Quadro Negro como peça central da suposta quadrilha.

Viagem
Souza relatou ainda que Fanini fez com Richa uma “viagem da vitória” em novembro de 2014 para Miami e Caribe para comemorar a reeleição do político no primeiro turno ao governo do Paraná. O empreiteiro disse que deu US$ 20 mil em espécie ao servidor para levar no tour. Contou ainda e que Fanini disse “que durante a viagem comprou um relógio Rolex e deu de presente para o Beto Richa. Depois ele me mostrou fotos dessa viagem e de outras situações de lazer com o Beto Richa”.

Mesada
O relator afirmou no acordo de delação que quando Fanini foi nomeado presidente da Fundepar, autarquia que cuidaria de toda a parte administrativa da Secretaria de Educação, inclusive da construção das escolas públicas, ele passou a dar uma mesada de R$ 100 mil que seria, segundo depoimento, direcionada ao governador.

“A gente daria R$ 100 mil por mês a ele [Fanini], porque o Beto vai ser candidato a senador, o Pepe Richa (irmão do governador) vai ser candidato a deputado estadual e o Marcelo Richa (filho do governador) a deputado estadual”, disse.

Fanini
A mesada durou pouco tempo, segundo Souza, porque meses depois de assumir a Fundepar, Fanini foi exonerado com a a deflagração da Operação Quadro Negro. O delator conta que Fanini “dizia que era amigo pessoal do governador Beto Richa, com quem jogava tênis frequentemente, e as famílias se frequentavam mutuamente. O Fanini comentou comigo que tinha conversado com o governador e que a gente estava ‘bem’, por conta dos valores que estávamos arrecadando para a campanha dele”.

R$ 12 milhões
O empreiteiro relatou que entregou cerca de R$ 12 milhões em espécie a Fanini desviados das construções de escolas públicas que nunca foram terminadas. “Ele [Fanini] disse que, conforme acertado com o governador, parte desses valores ficaria com ele e parte iria para a campanha [de Beto Richa]”. Souza relata que os desvios chegavam ao tucano pela seguinte via: o empreiteiro repassava a propina a Fanini que direcionava parte do montante a Ezequias Moreira da Silva, outra parte a Ricardo Rached e outra parte a Luis Abi Antoum. Os dois primeiros são assessores de Richa no Palácio Iguaçu e o último, primo dele.

Entregas
O delator detalhou que primeiramente as entregas a Fanini aconteceram no banheiro da Sude, braço da Secretaria de Educação dirigido por ele. Posteriormente, os valores, diz o delator, passaram a ser muito altos e, segundo a versão dele, o dinheiro começou a ser camuflado em caixas de garrafas de vinho. “Eu pegava, por exemplo uma caixa com 12 garrafas, deixava apenas duas e preenchia o restante da caixa com dinheiro. Eu deixava apenas duas garrafas para que fizesse barulho quando alguém pegasse e não levantasse suspeitas”.

Outro lado
Por meio de nota, o governador Beto Richa classificou de “mentirosas” as declarações do delator. “O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”, disse.

E ainda
Segundo o governador, a “Procuradoria-Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1ª, 4ª e 5ª Varas da Fazenda Pública por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos”.

Com informações da Folha


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