Ceará

Em crise, máquina pública não é vantagem para eleição

Sem dinheiro para concluir obras e avançar em projetos, boa parte dos prefeitos já admite um horizonte de dificuldades ano que vem. Sérgio Aguiar avalia que a oposição poderá aproveitar as dificuldades impostas pela crise às atuais gestões para fortalecer o discurso de mudança. Foto: Máximo Moura
Sem dinheiro para concluir obras e avançar em projetos, boa parte dos prefeitos já admite um horizonte de dificuldades ano que vem. Sérgio Aguiar avalia que a oposição poderá aproveitar as dificuldades impostas pela crise às atuais gestões para fortalecer o discurso de mudança. Foto: Máximo Moura

Os próprios políticos admitem que pode ser um ponto negativo ser gestor municipal para disputar eleições de 2016. Sem dinheiro para levar à frente promessas feitas durante a campanha passada, boa parte dos prefeitos reclama da condução da economia e já admite um horizonte de dificuldades ano que vem.

Por conta da crise, eles estão implantando medidas impopulares como a demissão de servidores. Fato que pode deixar os prefeitos e vereadores aliados em apuros diante dos eleitores.

As prefeituras estão mais dependentes dos recursos, cada vez mais escassos por conta das crises política e econômica. Para as cidades de menor porte, a conjuntura político-econômica é um estrangulamento inevitável, mas as maiores também já estão sofrendo os reflexos da crise.

“O sistema eleitoral brasileiro que permite a reeleição traz ônus e bônus. Nós sabemos que através dessa crise que estamos vivenciando, não só no Ceará, mas em todo território brasileiro, as administrações estão tendo muita dificuldade como com queda de recursos, fazendo cortes em suas secretarias. Isso desgasta muito a população”, afirmou o vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Júlio César Filho (PTN), que é filho do ex-prefeito de Maracanaú.

Reeleição
Por outro lado, o parlamentar enfatizou ser “injusto” disputar com quem tem domínio da máquina pública, pois, segundo ele, a estrutura acaba beneficiando a reeleição do atual gestor. Mas, no atual cenário, o candidato à reeleição pode sentir dificuldades e retrair um pouco na vantagem com os demais concorrentes.

Lençol curto
O deputado Heitor Férrer (ainda no PDT), possível candidato à Prefeitura de Fortaleza, lembrou que os administradores municipais estão apertando o cinto, alguns, inclusive, dividindo o pagamento dos servidores e, portanto, “esse cenário traz uma inquietação aos gestores, porque o lençol é curto”.

Heitor deve ser candidato pelo PSB, partido para onde deve migrar após a confirmação da filiação dos irmãos Ferreira Gomes no PDT.

Discurso
“Será muito fácil fazer campanha apontando erros nas atuais administrações em virtude do déficit das contas públicas, principalmente na diminuição das receitas devido à desaceleração da economia brasileira”, disse o deputado estadual Sérgio Aguiar (ainda no Pros). Isso, segundo ele, favorecerá o discurso dos oposicionistas, quando apontam erros e prometem serem “os salvadores da pátria”, o que poderá provocar uma safra das piores a saírem das urnas com a eleição de aventureiros.

“E são esses aventureiros que terão a chance de utilizar o desgaste atual das administrações públicas municipais e da classe política para tomar a dianteira na eleição do próximo ano em 2016”, completou o parlamentar, que é casado com a prefeita de Camocim, Mônica Aguiar.

Olhar atento
Sobre a dificuldade na disputa, o deputado federal Danilo Forte (PSB) defendeu um olhar atento à administração municipal, não apenas na disputa eleitoral. “Depende como é usada a máquina pública. Se usada para fins eleitoreiro, pode mudar o destino da eleição. Se mudou na presidência do Brasil. Imagine num pequeno município. Se o gestor for responsável, tentará contornar as dificuldades”, disse.

Experiência
Ex-prefeito de Fortaleza, Antônio Cambraia (PMDB), afirmou que, de fato, o cenário se desenha para um horizonte de dificuldades em 2016. O problema, de acordo com ele, é que as chamadas “medidas antipáticas”, adotadas pelos gestores, não têm perspectiva de melhoria a curto prazo. “Quando um prefeito toma uma medida forte, mas que lá na frente existirá uma diferença, a população não desacredita”, ressaltou, acrescentando que, por outro lado, existe uma parte do eleitorado que interpreta as medidas como um ponto forte do gestor em sanar as dívidas dos municípios.

Cambraia lembrou que enfrentou as dificuldades durante o Plano Collor, que incluiu o confisco dos depósitos bancários e das, até então ,intocáveis cadernetas de poupança dos brasileiros. Segundo ele, a crise da época foi tão forte quanto a vivenciada atualmente. “Foi um momento difícil para as administrações”, disse. Ao finalizar, o peemedebista disse acreditar que, em breve, a crise será superada pelo Governo Federal.

Com informações do OE


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