Em Brasília

Em entrevista, Cunha diz que há um “nítido cerceamento” de sua defesa

Declaração à imprensa ocorreu mais de um mês após última entrevista. Conselho de Ética aprovou parecer pela cassação do mandato de Cunha.
Declaração à imprensa ocorreu mais de um mês após última entrevista. Conselho de Ética aprovou parecer pela cassação do mandato de Cunha.

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reclamou nesta terça-feira (21), em entrevista coletiva realizada em um hotel de Brasília, que a sua defesa tem sido cerceada desde que teve o seu mandato suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e parou de frequentar a Câmara.

Ele afirmou que, diante disso, pretende dar entrevistas com regularidade para “expor ao debate” e dar a sua “versão dos fatos”.

“Isso, de certa forma, tem prejudicado em muito não só a minha versão dos fatos, a minha defesa, como a comunicação”, disse. E acrescentou: “Resolvi prestar satisfações diretamente, me expor ao debate, me expor às entrevistas, porque há um nítido cerceamento de defesa e a falta de comunicação é um deles”.

A declaração foi dada após ele sofrer um revés político no Conselho de Ética da Câmara na semana passada, quando o colegiado aprovou parecer que pede a cassação do mandato dele. Foi a primeira entrevista dele depois de mais de um mês sem fazer pronunciamentos à imprensa.

Fora da Câmara
Com o mandato parlamentar suspenso desde o dia 5 de maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha está proibido de circular pelos corredores da Câmara há um mês e meio – por isso, a coletiva precisou ser marcada fora da Casa. Ele é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.

O motivo oficial da entrevista desta terça-feira, no Hotel Nacional, em Brasília, não foi divulgado, o que abriu margem para especulações – de renúncia ao cargo de presidente da Câmara a negativa sobre acordo de delação premiada.

Revés
Na semana passada, o parecer do relator no Conselho de Ética, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), pela cassação, foi aprovado por 11 votos a 9. O placar surpreendeu até mesmo adversários do presidente afastado, que não contavam com os votos contrários a Cunha do deputado Wladimir Costa (SD-PA), que mudou de ideia na última hora, e da deputada Tia Eron (PRB-BA), que só se posicionou no instante final.

No conselho, Cunha respondeu a um processo por quebra de decoro parlamentar pela suspeita de ter ocultado contas bancárias secretas no exterior e de ter mentido sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobras, no ano passado. Ele reiteradamente repete que não é dono de conta no exterior, mas apenas o beneficiário de recursos geridos por trustes, entidades jurídicas formadas para administrar bens e dinheiro. O prazo para a defesa dele recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da votação no Conselho de Ética vai até esta quinta-feira (23).

Processos
Cunha já é réu no Supremo pela acusação de ter recebido US$ 5 milhões de propina resultante de contratos entre a Petrobras e as empresas Samsung Heavy Industries e Mitsui. Ele nega ter recebido propina. Na semana passada, o Banco Central informou ao Conselho de Ética da Câmara ter multado Cunha e a mulher dele, Cláudia Cruz, em R$ 1,13 milhão por não terem declarado recursos no exterior à Receita Federal entre 2007 e 2014. Cabe recurso da defesa.

Nesta semana, os ministros do STF devem decidir ainda nesta semana se aceitam outra denúncia oferecida pela Procuradoria pelo suposto recebimento de 1,3 milhão de francos suíços para viabilizar a aquisição de um campo de petróleo em Benin (África), pela Petrobras. O dinheiro teria abastecido contas do presidente afastado e da mulher dele, Cláudia Cruz, no exterior. Em sua defesa, Cunha alega que não era titular das contas e que as transferências foram referentes ao pagamento de um empréstimo.

Com informações do G1


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