Entrevista
Atualizado em: 11/09/2011 - 2:08 pm

O ex-presidente Lula só o chama de “Galego”, apelido dos tempos de militância sindical. Já a presidente Dilma Rousseff lhe reserva o tratamento carinhoso de “Jaquinho”. A intimidade com Lula e Dilma fez do governador da Bahia, Jaques Wagner, um personagem privilegiado da política nacional. Em entrevista exclusiva à IstoÉ, ele garante que a presidente levará adiante a faxina ética. “Dilma está deixando claro que o código de conduta dela é extremamente restrito nesse campo.”

Wagner discorda dos que apontam no governo passado os focos de corrupção, mas admite que Lula, por seu perfil, foi mais complacente com desvios do que Dilma. “É claro que o presidente Lula, por ser um homem totalmente da política, acabou sendo mais tolerante com o gênero humano e seus erros. Nesse aspecto, Dilma tem uma bem-vinda taxa de intolerância muito grande”, afirma.

Para o governador, a reação da base aliada se deve mais ao corte das emendas parlamentares do que à caça aos corruptos. “Não tenho dúvida de que, quando as emendas forem liberadas, vai se respirar muito melhor no Congresso Nacional.”

Wagner fala com autoridade. Graças ao bom trânsito do governador no Palácio da Alvorada, a Bahia tem merecido atenção especial do Executivo na distribuição de verbas para educação, saúde e habitação. Recentemente o Estado foi escolhido para sediar duas das quatro novas universidades federais. Satisfeito com a preferência, ele antecipa que vai lutar pela reeleição de Dilma Rousseff em 2014. “Percebo que ela está gostando do exercício da Presidência e certamente sairá candidata.”

Em sua opinião, Lula só vai concorrer se Dilma abrir mão. Acompanhe abaixo alguns trechos da entrevista:

IstoÉ – Hoje o tema central na política é a faxina ética. O sr. concorda?

Jaques Wagner – Nós sempre teremos problemas, enquanto houver ser humano e paixão patrimonial. Por isso, a agenda da transparência, do combate à corrupção e da busca do melhor uso do dinheiro pú¬blico é permanente. Nunca vai acabar. Só acho um equívoco virar a agenda central. O País está bem do ponto de vista da capacidade de atração de investimentos e da autoestima, tendo desafios enormes, particularmente de infraestrutura humana e clássica.

Então a presidente Dilma Rousseff deve deixar a “faxina” de lado?
Jaques Wagner – Claro que não. Não há mais lugar para o papo de “rouba, mas faz”. Não tem que roubar nem deixar roubar. Tem que fazer. O governo só não deve gastar mais energia com isso do que com a busca do desenvolvimento.

Uma pergunta que se faz é por que todos esses escândalos estouraram no início do governo Dilma e não antes?
Jaques Wagner – É claro que o presidente Lula, por ser um homem totalmente da política, acabou sendo mais tolerante que Dilma com o gênero humano e seus erros. Ele sabe que para governar é preciso, muitas vezes, conviver com pessoas que não têm o mesmo padrão de comportamento. Nesse aspecto, a presidente Dilma tem uma bem-vinda taxa de intolerância muito grande. A intolerância tem que ser no conteúdo e não na forma. É chamar o cara e dizer: “Bye, bye”. Mas, para não ficar impressão errada, não me consta que, com Lula, tenha havido movimentação para impedir o trabalho da PF ou do Ministério Público Federal. Mas Lula é um cara mais martelado na vida da política, desde o sindicato.

No caso do governo, a necessidade de compor leva ao loteamento político. E o loteamento político tem levado à corrupção. É muito comum ouvir: “Seria bom ganhar com todo mundo, mas governar sozinho.” Mas isso não corresponde à realidade, porque a gente vive numa democracia. A reincidência da corrupção não é coisa do governo A ou do governo B. É a reincidência da deformação da cabeça do ser humano que está na política como atalho para a conquista patrimonial. Há anjos e diabos em todos os segmentos da sociedade.

Fonte: IstoÉ

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