Bastidores

Graça Foster coloca cargo à disposição de Dilma

Graça Foster coloca cargo à disposição de Dilma
Graça Foster coloca cargo à disposição de Dilma

A presidente da Petrobras, Graça Foster, confirmou nesta quarta-feira ( 17), durante coletiva de imprensa, que colocou seu cargo e de toda a diretoria à disposição da presidente Dilma Rousseff.

Segundo ela, a decisão foi tomada diante do risco de que a permanência da diretoria inviabilizasse a aprovação do balanço da estatal.

Sinalização positiva
Graça afirmou ainda que as investigações da Operação Lava Jato indicaram a necessidade de “uma sinalização positiva de que a diretoria está em condições, do ponto de vista de sua governança, de assinar o balanço”.

“Eu preciso ser investigada, os diretores, nós precisamos ser investigados. E para isso precisamos das auditorias internas. Eles chegam, entram na sua sala, abrem seus armários, pegam seus papéis, computadores. E isso é bom”, disse Graça.

Confiança de Dilma
Segundo ela, a diretoria permanece “enquanto contar com a confiança da presidente e ela entender que devo ficar”. Graça afirmou que conversou com Dilma “uma, duas, três vezes”, mas que uma definição “é ela quem tem que falar”.

Balanço
Segundo a executiva, a não apresentação do balanço não foi uma imposição da auditoria externa, PriceWaterhouse Coopers (Pwc). “Nós não estávamos prontos”, afirmou. “Os resultados das investigações tornaram evidente que nós precisamos fazer baixa no patrimônio líquido da companhia.”

“Não há segurança”
Graça afirmou que “não há segurança” de que informações do resultado financeiro serão divulgadas “em sua plenitude” nos próximos 45 dias. Esse é o prazo para a divulgação do balanço do terceiro trimestre deste ano, sem ter que antecipar o pagamento de dívidas. A publicação do balanço não auditado está previsto para 30 de janeiro.”Estamos trabalhando para fazer avaliação do real valor do ativo. A gente chama de efeito da Operação Lava Jato, um nome menos feio. O nome correto é corrupção”, afirmou Graça.

Preocupação
A preocupação da empresa é que o patrimônio da empresa seja revisto à medida que novas delações à Polícia Federal deem a dimensão do volume de recursos desviados.

Posicionamento
Graça cobrou do governo federal um “posicionamento urgente” sobre a situação das empresas envolvidas na Lava Jato. Segundo ela, comprovadas as denúncias de corrupção, a estatal ficaria proibida de contratar as empresas que atuam nos principais estaleiros do País na construção de embarcações e plataformas para a Petrobras, o que poderia comprometer a produção da companhia.

Sugestões
A executiva sugeriu que o governo elaborasse um projeto de continuidade do Promimp, programa lançado em 2003 para priorizar a indústria naval brasileira no atendimento às encomendas da Petrobras para exploração do pré-sal. “É preciso fazer o Promimp 2 urgentemente”, afirmou

Incômodo
A executiva afirmou que está “absolutamente confortável” para responder às investigações da Lava Jato. A executiva, que em 2012 demitiu Paulo Roberto Costa da diretoria de Abastecimento, e também outros diretores hoje implicados nas investigações de corrupção, disse também que à época “sabia o que incomodava” no “estilo de gestão” dos outros diretores.

Irregularidades
A executiva foi questionada se já tinha indícios de irregularidades na empresa quando assumiu a presidência, em abril de 2012. Poucos meses após sua posse, Graça Foster demitiu o ex-diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, e também Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional.

Proximidade
“Sabia o que me incomodava. São estilos de gestão diferentes. Não me metia no que estava sendo feito”, afirmou a executiva. Segundo ela, a diretoria atual trabalha mais próxima e com “intromissão muito grande”.”Não poderia trabalhar com a independência das áreas. Não saberia fazer. Entendi, por tudo que se passava, que, no caso da diretoria de abastecimento, seria uma convivência quase impossível. E outros diretores entenderam, por razões diferentes, que a convivência comigo também não seria fácil ou por que queriam fazer outras coisas da vida. Essa foi a grande a razão”, explicou.

Sem receio
A executiva afirmou ainda que a diretoria não “tem receio da verdade”. “Estamos diante de vocês por que não temos receito da verdade. Estamos absolutamente confortáveis, buscando na nossa memória as respostas para ser justo com as pessoas”, afirmou.

Com informações das Agências


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