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Janot denuncia Cunha no STF por corrupção e lavagem de dinheiro

Eduardo Cunha foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro. Foto: Agência Brasil
Eduardo Cunha foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro. Foto: Agência Brasil

O procurador-geral da República Rodrigo Janot protocolou na tarde desta quinta-feira (20) no STF (Supremo Tribunal Federal) denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelos supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro apontados durante a Operação Lava Jato, que investiga crimes na Petrobras.

Segundo a denúncia, Cunha recebeu propina após o fechamento de contratos entre a Petrobras e a Samsung Heavy Industries, da Coreia, para fornecimento de navios-sondas para a estatal do petróleo.

Ele nega
Desde a abertura do inquérito no STF, em março passado, Cunha tem negado qualquer envolvimento com as irregularidades e afirmado ser alvo de perseguição de Janot e do Palácio do Planalto.

STF
A partir de agora, o ministro relator dos casos relacionados à Lava Jato no STF, Teori Zavascki, deve submeter a denúncia aos colegas ministros do STF que decidirão, em sessão plenária, se acolhem ou rejeitam a denúncia -ainda não há prazo para a decisão. Se acolhida, a denúncia torna-se ação penal e Cunha passa à condição de réu.

Indícios
A apresentação da denúncia não significa culpa formada, mas sim que a PGR considerou ter encontrado, na investigação conduzida com o apoio da Polícia Federal, indícios que considera suficientes para processar e julgar o deputado federal por determinados crimes.

Delação
A investigação sobre Cunha começou a partir de depoimento, prestado em acordo de delação premiada, pelo doleiro Alberto Youssef em outubro de 2014 à força tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba (PR). Segundo o doleiro, o operador da Samsung e de uma empresa parceria, a Mitsui, Júlio Gerin Camargo, pagou propina a Cunha a partir do fechamento de contratos da empresa com a Petrobras. Foram assinados dois contratos para fornecimentos dos navios-sondas Petrobras 10.000 e Vitória 10.000, com a anuência do então diretor da área internacional da petroleira, Nestor Cerveró. Os dois contratos custaram aos cofres da Petrobras um total de US$ 1,2 bilhão.

Pagamento
Segundo Youssef, a propina foi paga por Camargo ao lobista Fernando Soares, o Baiano, por meio de remessas ao exterior. O doleiro contou que em determinado momento os pagamentos da Samsung a Camargo cessaram, o que impediram o operador de continuar pagando Baiano. O doleiro disse que, para pressionar Camargo a retomar os pagamentos, o deputado federal Eduardo Cunha então apresentou, por meio de outros parlamentares do PMDB, requerimentos na Câmara para pedir investigações do TCU e do Ministério de Minas e Energia sobre
Camargo e a empresa Mitsui, uma parceria da Samsung no negócio dos navios-sondas.

Condenados
O juiz federal condenou Baiano a 16 anos de prisão e Cerveró, a 12 anos e três meses. Camargo também foi condenado, mas teve a pena abrandada por ter feito o acordo de delação premiada a se comprometido a devolver dinheiro.

Com informações da Folha.com


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