Mensalão

Joaquim Barbosa vê ‘ação de crime organizado’ e condena 9 por lavagem de dinheiro

Joaquim Barbosa vê ‘ação de crime organizado’ e condena 9 por lavagem de dinheiro. Foto: STF

Relator do processo do mensalão livra apenas Ayanna Tenório de acusação e aponta que Rural foi usado, por intermédio de Valério, para ocultar beneficiários de recursos usados no mensalão. A reportagem é do Estadão.

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa afirmou nessa segunda-feira, 11, que o empresário Marcos Valério agiu como “intermediário” entre o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e a diretoria do Banco Rural. Para o ministro, a instituição financeira – que fez os empréstimos já considerados fraudulentos pelo Supremo Tribunal Federal – lavou dinheiro do mensalão. Barbosa apontou características de crime organizado no esquema, e indicou que vai defender a condenação generalizada dos réus, inclusive de políticos.

Leia ainda:
Veja o que há contra cada um dos envolvidos no mensalão e o que eles alegam em suas defesas; Tem cearense na lista

Culpados
Barbosa considerou nove réus culpados por lavagem: os dirigentes e ex-dirigentes do Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane; Marcos Valério; o ex-advogado dele, Rogério Tolentino; os antigos sócios nas agências de publicidade Cristiano Paz e Ramon Hollerbach; e as ex-funcionárias das empresas Simone Vasconcelos e Geiza Dias. O relator votou pela absolvição de Ayanna Tenório, ex-vice-presidente do Rural – o plenário a livrou da acusação de gestão fraudulenta, o que a impede de ser condenada por lavagem.

Terceira fatia
Com o voto dessa segunda, Barbosa deu início à terceira das sete fatias do julgamento do mensalão, que trata de lavagem de dinheiro. Desde o início do julgamento, em 2 de agosto, foram votados as fatias relacionadas a desvio de recursos públicos e a gestão fraudulenta. Nesta quarta, 12, o julgamento recomeça com o voto do revisor, Ricardo Lewandowski.

Dirceu
Na fala dessa segunda, o ministro sustentou que as manobras realizadas pelo grupo tiveram o objetivo de ocultar os beneficiários das quantias sacadas e ressaltou que Dirceu teve encontros com diretores do Rural na época em que o esquema estava em operação. Ao falar sobre esses encontros, como um jantar de Dirceu e Kátia Rabello em Belo Horizonte, Barbosa disse que não os vê como “um fato isolado”.

“Não se trata de um fato isolado, de meras reuniões entre uma dirigente de banco e o ministro da Casa Civil, mas de encontros ocorridos no mesmo contexto em que se verificaram as operações de lavagem de dinheiro levadas a efeito pelo grupo criminoso apontado na denúncia”, disse. Os ministros Rosa Weber e Marco Aurélio Mello mencionaram esses encontros antes.

Operações
Barbosa apontou 46 operações de lavagem de dinheiro via Rural. “Os saques eram feitos, em geral, por meio de cheques da SMPB, mas os valores eram entregues a outras pessoas. O Rural, portanto, mediante procedimento de ocultação e dissimulação, permitia que outras pessoas sacassem cheques nominais à SMPB.”

Controle
O relator destacou que o banco não informava aos órgãos de fiscalização os reais beneficiários e que só a “quadrilha” tinha o real controle das operações. As transações foram descobertas, observou, após busca e apreensão autorizada pela Justiça.

“Não há como negar que os réus, em divisão de tarefas próprias de crime organizado, fraudaram empréstimos, ocultaram bens, informações e dados, para ocultar proprietários e beneficiários de quantias, como etapa para a real lavagem de dinheiro”, disse.


Curtir: