Bastidores

Julgamento da chapa Dilma-Temer divide opiniões de políticos cearenses

Gomes de Matos diz que Temer deveria refletir sobre a sua governabilidade. Foto: Divulgação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou, na terça-feira (06), o julgamento da chapa Dilma-Temer, num clima de grave crise política e muita expectativa, diante das acusações que pesam sobre o presidente e das especulações sobre sua saída. O assunto foi o principal tema de debate no universo político e dividiu opiniões sobre o possível desfecho.

Em entrevista ao jornal O Estado, o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB) disse esperar que o Tribunal julgue o mais “rápido possível, para que não tenhamos reflexos na economia e a instabilidade política”. Entretanto, segundo ele, alguns ministros farão uma análise técnica da matéria, e a expectativa é de que haja um pedido de vistas sobre o parecer do relator. O tucano ainda lembra que a ação foi mantida pelo PSDB, mesmo depois que a sigla passou a dar apoio administrativo a Temer.

Questionado sobre a solução para a atual crise vivida pelo país, Gomes de Matos disse que Michel Temer deveria refletir sobre a sua governabilidade, tendo em vista a “instabilidade” da base de apoio e, assim, propor um acordo entre todos os partidos em prol do País. “Seria um gesto, em prol do país, ele pudesse fazer esse ato”, disse o parlamentar, lembrando que o presidente já deixou claro que não renunciará.

Preocupante
Para o deputado federal Danilo Forte (PSB), o Brasil vive um momento “muito preocupante e isso exige muita responsabilidade de todas as autoridades, no sentido que seja possível haver um entendimento para evitar ainda mais retrocesso na sua economia”. O parlamentar afirma que o País está sobre uma situação “no mínimo constrangedora” para a classe política.

Aliado de Temer, o parlamentar cearense ressalta a preocupação com o julgamento. “Esse julgamento poderá causar um quadro de instabilidade muito grande, apesar de que tudo que está na Constituição parece ser muito claro com relação aos processos de substituição do presidente da República”, pontua.

Sem cassação
Já o deputado federal Chico Lopes (PCdoB), que faz oposição a Temer, avalia que o presidente não vai deixar o cargo, “porque não deverá ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral”. Lopes ressalta que não está “torcendo” pela permanência de Temer no cargo, mas mantém esta avaliação diante “das condições favoráveis para evitar uma cassação”. “O Temer é uma pessoa sem caráter e o melhor seria que ele deixasse o governo, mas acho que isso não vai acontecer, porque ele tem muita gente do seu lado”, afirmou o comunista sem citar nomes.

Conforme o deputado, Temer não tem credibilidade, “porque tem apoio de apenas quatro por cento da população” e que, caso permanece no comando do País, não vai ter condição de aprovar as reformas, “porque os parlamentares, deputados e senadores, não vão ficar contra o povo, principalmente contra o trabalhador”.

CMFor
O assunto também chamou atenção dos vereadores de Fortaleza. Na sessão de terça-feira (06), na Câmara Municipal, o vereador Iraguassú Filho (PDT) lembrou que o julgamento começou em 4 de abril, mas foi adiado porque os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram reabrir a etapa de coleta de provas, ouvir novas testemunhas e dar prazo adicional para as defesas entregarem as alegações finais. O processo deve ser concluído até quinta-feira, caso não aconteça nenhum empecilho.

“Analisando o momento político conturbado em que vivemos no Brasil, podemos chegar a conclusão que o propositor da cassação da chapa Dilma-Temer, o PSDB, através do senador Aécio Neves também está envolvido em escândalos. Como o PSDB vai se posicionar como o grande fiel da balança na continuidade do Governo Temer?”, questionou Iraguassú Filho.

Delações
Nos últimos dois meses, com as delações de executivos da Odebrecht e da JBS que atingiram políticos de diversos partidos, principalmente o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves, o cenário político mudou. “Precisamos cobrar que o julgamento deste processo tenha caráter jurídico e não político. É dessa conduta que o Brasil carece no momento. Faz tempo que os Tribunais Superiores do nosso país estão realizando julgamentos políticos. Não podemos perder a ordem jurídica, a garantia constitucional e os julgamentos independentes e jurídicos que nossas Cortes precisam se basear”, cobrou.

AL
Para o deputado estadual Danniel Oliveira, o TSE deveria separar o julgamento da chapa Dilma-Temer uma vez que, segundo o peemedebista, o atual presidente da República “não tem nada a ver com o dinheiro que o PT recebeu para fazer a campanha de 2014”.

“Eu creio piamente na separação das decisões judiciais, porque o presidente Michel Temer não era responsável de forma alguma por captação de recursos”, arrisca, acrescentando que Temer também não era responsável pela administração desses recursos, “porque esse papel foi feito pelos dirigentes do PT e com o possível conhecimento da presidente Dilma”. “Eu não tenho dúvida sobre a absolvição do presidente Temer em relação ao julgamento desta chapa, porque ele não fez nada de errado e apenas participou da campanha”, defende.

Com informações do OE


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