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Lentidão da Lava Jato não está no Supremo, afirma Gilmar Mendes

Lentidão da Lava Jato não está no Supremo, afirma Gilmar Mendes. Foto: Agência Brasil

A força-tarefa do Supremo para lidar com acusações da Lava Jato – anunciada na segunda (17) pela ministra Cármen Lúcia – é bem-vinda, mas o verdadeiro gargalo para o andamento dos processos não está no Judiciário, avalia o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. “O grande problema aqui é na lentidão na investigação”, afirmou o magistrado.

“Certamente o tribunal apoiará que se faça todo esforço para que não haja atraso. Mas é bom observar que, hoje, não há atrasos no Supremo, formalizados. Os atrasos estão na investigação. E isso depende muito menos do Supremo e muito mais da Polícia Federal e da Procuradoria da República”, disse Mendes.

Judiciário
Em Lisboa para comandar o 5º Seminário Luso-Brasileiro de Direito, organizado pelo IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), do qual é sócio, Gilmar Mendes comentou também as declarações da ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Eliane Calmon, que afirmou que a Lava Jato irá chegar ao Judiciário.

“Isso tem que ser examinado no seu contexto, porque tem muita gente dizendo que haverá uma delação que vai afetar o Judiciário do Rio de Janeiro. Há muitas conversas sobre isso. O importante é que tudo seja esclarecido da melhor forma possível”, resumiu.

Palestrantes investigados
O seminário organizado por Mendes, que acontece até quinta (20), reúne várias personalidades do meio jurídico e político, incluindo nomes investigados pela Lava Jato e com foro privilegiado. Caso dos ministros Bruno Araújo (Cidades) e do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Mendes afirmou que não há conflito de interesse na presença de investigados. “A toda hora tem pessoas investigadas [na Lava Jato] E por enquanto elas estão sendo apenas investigadas”, disse o ministro.

Expertise
Gilmar Mendes justificou a presença dos investigados com a expertise que eles têm em suas áreas, sobre as quais irão palestrar. “Eles vieram falar sobre os assuntos nos quais são competentes.”

E ainda
Acusado por Emílio Odebrecht de ter recebido caixa dois em suas campanhas ao Planalto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi o encarregado da palestra de abertura do evento. Do lado de fora, um grupo de brasileiros protestava contra a realização do evento. Com gritos e cartazes, os manifestantes enumeravam as acusações de corrupção que pairam sobre os participantes do seminário.

Com informações da Folha


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