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Lista da Odebrecht é ainda maior e tem 316 nomes

Políticos de 24 partidos aparecem nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal como beneficiários de repasses da empreiteira para campanhas eleitorais de 2012 e 2014. Foto:  Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Políticos de 24 partidos aparecem nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal como beneficiários de repasses da empreiteira para campanhas eleitorais de 2012 e 2014. Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

As planilhas apreendidas pela Polícia Federal na casa de um ex-executivo da Odebrecht listam repasses a pelo menos 316 políticos de 24 partidos, revelando ser ainda mais longa do que a estimativa inicial onde havia a informação de que 200 políticos haviam sido citados.

A apuração do jornal Folha de S. Paulo mostra que a planilha, apesar de ter mais nomes do que o calculado inicialmente, continua com seu caráter ecumênico e envolvendo políticos pró e contra o impeachment. A maioria deles, porém, faz parte da tropa de choque contra a presidente Dilma Rousseff. Na relação surgem nomes de ministros do governo, senadores e deputados e credenciam todos eles a serem investigados pela Operação Lava Jato.

Repasse
Os repasses foram feitos nas campanhas municipais de 2012 e para a eleição de 2014. Porém, não se pode afirmar com certeza de que se tratam os números das planilhas. Podem ser doação legal, caixa dois, ou propina. O material foi apreendido em fevereiro com o então presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior, no Rio de Janeiro, durante a fase Acarajé da Lava Jato.

Lista
A lista reúne ministros, caciques da oposição, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Destes, oito são integrantes da comissão especial que analisa o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Também estão envolvidos o mais expoente nome da oposição, Aécio Neves (MG), que é mencionado como beneficiário em uma planilha de pagamentos da eleição de 2010. Segundo o documento, o tucano teria recebido R$ 120 mil da empreiteira. O senador José Serra (PSDB-SP) também aparece.

Apelidos
A lista, divulgada em primeira mão pelo Blog do Fernando Rodrigues, no UOL, mostra que muitos dos supostos beneficiários ganharam apelidos. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é chamado de “caranguejo” e aparece ao lado de um suposto pagamento de “500″, sem maior especificação. Em uma das planilhas, Cunha aparece como beneficiário de doações feitas a outros dois partidos: PR e PSC. Já o chefe de gabinete de Dilma, Jaques Wagner, era chamado de “passivo” e teria recebido R$ 3 milhões relativo à campanha de 2010, quando concorria à reeleição no governo da Bahia.

Parceiros
Ainda de acordo com a Folha, a Odebrecht projetou pagamentos para grupos de “parceiros históricos”, como o ex-presidente José Sarney, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador Romero Jucá, todos do PMDB. Renan Cunha e Aécio são investigados ou já foram citados por outros delatores da Lava Jato como beneficiários de propina na Petrobras, da qual a Odebrecht é a maior financiadora.

Oposição
A lista traz também nomes da oposição como Paulinho da Força (SDD-SP), os tucanos Jutahy Magalhães (BA) e Paulo Abi-Ackel (MG), os democratas Medonça Filho (PE) e Rodrigo Maia (RJ) e o peemedebista Osmar Terra (RS). Entre os governistas, são citados ainda os deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Paulo Magalhães (PSD-BA).

Governadores e prefeitos
Entre os supostos beneficiários da Odebrecht aparecem ainda o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que morreu em agosto de 2014 e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que aparece na lista como beneficiário de uma doação de R$ 400 mil em 2010 e o ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT). Entre os prefeitos citados estão o do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), apelidado de “nervosinho”, o de Salvador, ACM Neto (DEM) e o de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Sigilo
O juiz Sergio Moro, mesmo após a divulgação do conteúdo das planilhas da Odebrecht, decretou sigilo dos autos do processo da Lava Jato que contêm os documentos. Segundo o magistrado, é necessário o envio do material para o Supremo Tribunal Federal (STF) “para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado”. Os papeis eram públicos até a manhã desta quarta-feira (23).

Com informações da Folha


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