Congresso

Mais um senador do PDT defende o afastamento de Lupi. Ministro vai ao Senado nesta quinta

Pressão sobre Lupi aumenta e encontra apoio de parlamentares do próprio partido. Será ele o sexto ministro a cair no governo Dilma?

A permanência de Carlos Lupi no cargo de ministro do Trabalho foi criticada de forma veemente por um de seus colegas de partido, senador Pedro Taques (MT), nesta quarta-feira (16). Taques também quer que Lupi se afaste enquanto são apuradas as denúncias que envolvem a relação do ministério com organizações não governamentais. Além disso, o senador propõe que o PDT entregue os cargos que tem na administração federal, mas permaneça na base aliada do governo.

“Esse aparelhamento do Estado por partidos políticos não é republicano. Eu defendo que Lupi seja afastado. As denúncias são graves e devem ser apuradas. É isso que eu defendo sem pré-julgado. Quando se trata de dinheiro público, eu defendo que tudo seja apurado”, disse o senador.

Taques também criticou a postura de alguns deputados do PDT, que ameaçam deixar a base governista se o ministro for demitido. “Eu não participo de ameaças. Se, politicamente, [o partido] entender que tem de sair da base, isso tinha que ser feito antes. Não é agora, porque tem esse fato, que vamos alegar que vamos sair da base. Fica sem tempo e se entende que partido pode fazer chantagem, e essa não é a função de um partido político”.

No Senado
A senadora Ana Amélia (PP-RS) apresentou requerimento convidando Lupi para dar explicações no Senado sobre as denúncias contra ele. Na tribuna, a parlamentar gaúcha alegou que os escândalos paralisam a pasta. “A vinda do ministro é inadiável pelo acúmulo de denúncias públicas. Sempre que um ministro está envolvido em denúncias, fica difícil ao governo tocar os projetos do ministério”, disse a senadora.

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A oposição também faz pressão contra o ministro. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), foi novamente à Procuradoria-Geral da República dar entrada em uma representação contra o ministro do Trabalho por crime de responsabilidade. Desta vez, Dias acusa Lupi de mentir sobre o uso de um avião supostamente alugado por um empresário, dono de organizações não governamentais conveniadas ao Ministério do Trabalho. Contra o ministro pesam ainda acusações de que recebeu indevidamente diárias pagas pelo ministério e de que pessoas ligadas a ele cobravam propina para liberar recursos da pasta.

Permanência
Na quinta-feira (17) de manhã, Carlos Lupi irá ao Senado para dar mais explicações. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse que a permanência dele no governo dependerá do convencimento dos senadores a partir dos esclarecimentos do ministro. “Acredito que é possível superar esse problema se as explicações forem dadas de maneira convincente”.

Da Agência Brasil