Fortaleza

Manifestantes furam bloqueio, sobem em árvores e conflito continua no Cocó

Ativistas fazem cordão humano e bloquearam o trânsito entre as avenidas Engenheiro Santana Junior r Antonio Sales. Foto: Bruno de Castro via Facebook
Ativistas fazem cordão humano e bloquearam o trânsito entre as avenidas Engenheiro Santana Junior e Antonio Sales. Foto: Bruno de Castro via Facebook

Manifestantes contra a construção de viadutos no Parque do Cocó entraram em conflito com Guardas Municipais na manhã desta quinta-feira (08). Os ativistas foram retirados do acampamento durante a madrugada e continuaram o protesto na avenida Engenheiro Santana Junior.

Leia aqui: Guarda Municipal retira manifestantes acampados no Parque do Cocó

Nas árvores
A Guarda Municipal fez uma barreira para evitar  a presença dos manifestantes, enquanto funcionários da prefeitura retomaram a derrubada das árvores para dar continuidade a obra. Perto das 11 horas da manhã, dois ativistas furaram o bloqueio e conseguiram subir nas árvores.

A Guarda Municipal revidou com balas de borracha e bombas gás lacrimogêneo. Manifestantes jogaram pedras contra os Guarda e gritaram palavras de ordem. Gritos de “fascistas” e “assassinos” também são direcionados à Guarda.

Bombeiros
O Batalhão de Choque está no local. Os bombeiros tentaram aproximar um veículo para retirar os manifestantes de cima das árvores, mas foram impedidos pelos ativistas que fizeram uma barreira.

É legal?
O coordenador do Transfor, Valdir Santos, informou à imprensa no local que a retirada dos manifestantes do acampamento é legal uma vez que a Prefeitura de Fortaleza tem autorização do Patrimônio da União e da Justiça para executar as obras.

É ilegal?
O Procurador da República, Oscar Costa Filho, disse à imprensa que a retirada dos manifestantes foi realizada de forma ilegal. “Com a jurisdição sendo federal, eles [a Prefeitura de Fortaleza] não poderiam ter usado força local para poder retirar o pessoal. Se tivessem, inclusive, que conseguir alguma autorização judicial, teria que ser na Justiça Federal. Nem a polícia local poderia ter entrado aqui e nem a Justiça local poderia ter autorizado”, explicou o procurador.

O jornalista Bruno de Castro, do O Povo, mostra as marcas da agressão durante o protesto no Cocó. Foto:  Reprodução do Facebook
O jornalista Bruno de Castro, do O Povo, mostra as marcas da agressão durante o protesto no Cocó. Foto: Reprodução do Facebook

Sobrou pra imprensa
Durante a confusão, acabou sobrando para a imprensa. O jornalista Bruno de Castro, do O Povo, que a acompanha a movimentação desde o início da manhã, mostrou, em foto publicada em seu perfil no Facebook, as marcas da agressão com cassetete da Guarda Municipal.

Jornalistas de diferentes veículos de comunicação também foram hostilizados por manifestantes. Equipes de emissoras de TV chegaram a ser impedidos de fazer imagens e acabaram se afastando para garantir a própria segurança.

Cordão
Mais cedo, o grupo fez um cordão humano para bloquear o trânsito nos dois sentidos da via no cruzamento das avenidas  Engenheiro Santana Júnior com Antonio Sales. A atitude irritou motoristas, mas quem tentou furar o bloqueio acabou cercado pelos ativistas e teve que recuar. Agentes da AMC foram acionados para fazer o desvio do fluxo de veículos, o que provocou congestionamento nas vias auxiliares.

Molotov
Guardas municipais disseram ter achado dois coquetéis molotov com os ativistas. Ao apresentarem os artefatos para a imprensa, houve um princípio de tumulto. Os manifestantes tentaram impedir o registro de cinegrafistas e fotógrafos e foram repelidos com spray de pimenta. Os ativistas negam que os artefatos pertençam a eles.

Guardas municipais fazem barreira para impedir que manifestantes voltem ao Cocó. Foto: Reprodução do Facebook
Guardas municipais fazem barreira para impedir que manifestantes voltem ao Cocó. Foto: Reprodução do Facebook

Choque
Logo no início da manhã, a presença do Batalhão de Choque da Polícia Militar causou alvoroço entre os manifestantes. O comandante do Batalhão chamou representantes do grupo para dialogar. Na sequência, os policiais se afastaram do local com a promessa de que os manifestantes iriam liberar o cruzamento.

O major Teófilo garantiu aos procuradores da República Oscar Costa Filho e Alexandre Meireles que o Batalhão de Choque está no local apenas de “forma preventiva” e que irá garantir a livre manifestação.

Fechou!
Temendo o confronto físico e a confusão entre manifestantes e Guardas, o supermercado Frangolândia, que fica em frente ao local da mobilização, decidiu fechar as portas. Alguns clientes que estavam fazendo compras, optaram por ficar dentro do estabelecimento enquanto a situação do lado de fora era contornada.

Covardia
O vereador João Alfredo (Psol), que acompanha a mobilização desde a madrugada, avalia como “uma covardia” a operação de retirada dos manifestantes do acampamento no Cocó.

Carro quebrado
No meio da confusão, um motorista teve o vidro do carro quebrado por Guardas Municipais. Rafael Lima, um ex-policial militar (expulso da PM após participação em movimento grevista), filmava a retirada dos manifestantes do acampamento no Cocó quando um dos Guardas teria exigido que ele entregasse o celular com as imagens.

Guardas Municipais cercam carro e quebram vidros. Foto: Reprodução da internet
Guardas Municipais cercam carro e quebram vidros. Foto: Reprodução da internet

Rafael se recusou a entregar o aparelho e acelerou o carro para tentar deixar o local. O veículo estava no estacionamento do supermercado Frangolândia. O ex-PM deu uma ré e conseguiu sair.

Mas nesse momento vários Guardas partiram para cima do carro, com cassetetes e chutes, provocando estragos. Rafael Lima registrou Boletim de Ocorrência (B.O) no 15º Distrito Policial (DP), na Cidade 2000. A Guarda Municipal alega que usou a força para evitar a tentativa de atropelamento.


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One thought on “Manifestantes furam bloqueio, sobem em árvores e conflito continua no Cocó

  1. O que é isso? Voltamos pro tempo da ditadura?
    O neocoronelismo se instalou no Ceará.

    Sonho com uma chapa pro próximo ano: Heitor Férrer governador, João Alfredo vice. Seria imbatível!
    Os melhores nomes da esquerda precisam se unir pra derrubar os neocoronéis, em prol do povo cearense.

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