Mensalão

Mensalão: Lewandowski condena Valério por lavagem de dinheiro

Para Lewandowski, a alta cúpula do Banco Rural associou-se a Marcos Valério para forjar os empréstimos e lavar dinheiro. Seis réus ligados ao núcleo financeiro-publicitário foram condenados. Julgamento será retomado nesta quinta (13) com votos dos demais minitros da Corte sobre o item 4 da denúncia. Foto: Gervásio Baptista/STF

Na 22ª sessão de julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o ministro revisor da ação penal 470, Ricardo Lewandowski, votou pela condenação do publicitário Marcos Valério por lavagem de dinheiro. Na análise sobre a conduta de dez réus do chamado “núcleo financeiro-publicitário” acusados do mesmo crime, o magistrado condenou também a ex-diretora do Banco Rural Kátia Rabello, o ex-diretor da instituição José Roberto Salgado e os dois ex-sócios do publicitário Ramón Hollerbach e Cristiano Paz.

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Absolvições
No voto apresentado nesta quarta-feria (12), Lewandowski votou por quatro absolvições: da ex-vice-presidente do Banco Rural Ayanna Tenório, do atual vice-presidente do Banco Rural, Vinícius Samarane, da ex-secretária das agências de Marcos Valério Geiza Dias e do advogado e braço direito de Marcos Valério, Rogério Tolentino.

Lavagem
Lewandowski foi o segundo ministro a votar no item 4 da denúncia sobre lavagem de dinheiro, que teria sido praticada com o intuito de dissimular a origem dos recursos usados no esquema de compra de voto de parlamentares do Congresso para apoiar o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, Marcos Valério foi o principal operador do esquema. Na última segunda-feira (10), o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, votou pela condenação de nove, dos dez acusados. Somente Ayanna Tenório foi absolvida.

Claramente
Em seu voto, Lewandowski argumentou que as provas constantes dos autos demonstram “claramente” que houve tentativa de dissimular saques fraudulentos feitos em nome das empresas de Marcos Valério. Ele afirmou que a cúpula do Banco Rural sabia do esquema e operou para viabilizá-lo.Segundo a denúncia, o Banco Rural atuou como facilitador e cedeu sua estrutura para a realização da lavagem, que seria responsabilidade de Marcos Valério. Segundo a denúncia, o Banco Rural teria injetado R$32 milhões no esquema por meio de empréstimos simulados.

E ainda
O banco também teria omitido os reais recebedores dos recursos e não teriam respeitado normas impostas pelos órgãos de controle. “O maior indicativo da ilicitude de tais operações é que o banco, em nenhuma ocasião, informou ao Banco Central o nome das pessoas que receberam os valores na boca do caixa”, disse e questionou: “Restou a intenção de ocultar os destinatários finais dos recursos em espécie. Se não fosse assim, em pleno século 21, por que não se valeram de transferências eletrônicas? Nos tempos atuais, revela-se que não existe nada mais seguro do que o emprego de operações bancárias eletrônicas. Os saques eram emitidos por pessoas jurídicas que serviram de intermediárias para os recursos que transitaram por suas contas”.

Segundo Lewandowski, Salgado foi o responsável por ter omitido as informações sobre saques suspeitos aos órgãos de controle.“Só se lava ou branqueia o que está sujo. O maior indicativo da ilicitude de tais operações é que o banco, em nenhuma ocasião, informou ao Banco Central o nome das pessoas que receberam os valores na boca do caixa”, disse.

Com informações do Congresso em Foco


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