Ceará

Minha Casa, Minha Vida: Dois mil operários demitidos, em 15 dias, apenas no Ceará

Minha Casa, Minha Vida: Dois mil operários demitidos, em 15 dias, apenas no Ceará
Minha Casa, Minha Vida: Dois mil operários demitidos, em 15 dias, apenas no Ceará

O governo federal vem atrasando, sistematicamente, nos últimos seis meses, os pagamentos às construtoras cearenses, e de outros estados brasileiros, que realizam as obras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

E isso vem provocando uma preocupação aos empresários do setor da construção civil, especialmente devido à época de fim de ano, quando precisam depositar o 13º salário nas contas de seus funcionários, além de quitar débitos com fornecedores de materiais de construção e outras demandas. O problema é tão sério que, apenas nos últimos 15 dias, cerca de dois mil operários foram demitidos pelas construtoras que realizam estas obras no Estado do Ceará.

Isto aconteceu porque, como o lucro neste tipo de construção é muito pequeno, em média 8%, qualquer aumento de preço ou atraso no recebimento dos valores contratados geram prejuízos às empresas. A reportagem é do jornal O Estado. 

Sindicato
De acordo com o presidente do Sindicato da Construção Civil no Estado do Ceará (Sinduscon-CE), empresário André Montenegro, que realiza este tipo de obra no Ceará e em outros estados, a situação dos proprietários e construtoras beira ao desespero. Isso porque a maioria dessas empresas é de pequeno ou médio porte, portanto, não possuem muito fluxo financeiro para suportar os atrasos que vêm acontecendo.

“Quando acontecem estes atrasos nos repasses, as construtoras não aguentam recorrer ao mercado financeiro e pagar juros, que são muito elevados. Afinal, elas têm seus compromissos para honrar e, sem o dinheiro do governo federal, precisa recorrer aos bancos, o que acaba comprometendo a sua capacidade financeira de investimento”, disse Montenegro.

Demissões
Devido à falta de dinheiro no caixa das empresas do setor, já são cerca de dois mil trabalhadores dispensados dos quadros daquelas que prestam serviços para o programa de habitação popular do governo federal e, caso a situação perdure, novas demissões deverão ocorrer. Somente em território cearense são cerca de 22 mil funcionários empregados diretos nas construtoras que participam do MCMV, mas se forem somados os indiretos, esse total deve ser multiplicado por três, ou mais de 60 mil pessoas.

“Caso esta situação perdure por mais 15 ou 20 dias, temo que possa haver uma demissão em massa, não apenas aqui em nosso Estado, mas em todo o território nacional. Temos mantido contato com os presidentes de outros sindicatos da construção pelo País afora, e a situação é de extrema preocupação”, ressaltou o presidente do Sinduscon-CE.

Insegurança no mercado
Este problema acaba repercutindo de maneira negativa, fortemente, no mercado, pois gera uma sensação de insegurança, uma vez que os empresários ficam receosos em investir, em realizar novas compras, pois ficam sem saber quando vão receber. E, quando os construtores, e o próprio Sinduscon-CE buscam informações junto à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil, que são os principais repassadores dos recursos do Tesouro Nacional, ninguém sabe dizer quando a situação será normalizada. “Somente aqui no Ceará são cerca de 15 mil unidades contratadas pelo MCMV, num valor total de R$ 825 milhões. Cerca de 30% destes recursos foram pagos, e ainda faltam 70% até o fim de 2015, mas com os atrasos sucessivos que estão ocorrendo, algumas empresas estão enfrentando dificuldades”, lembrou Montenegro.

Gargalo
O gargalo das construtoras é que elas precisam estar sempre comprando materiais para serem usados nas obras e, alguns deles, são pagos praticamente à vista, como pedra, cimento, entre outros insumos. Por isso, se atrasar um mês na compra, pode acarretar em um atraso de dois meses ou mais, na conclusão do projeto.

“São obras muito rápidas, com prazo médio de 18 ou 24 meses. Portanto, a gestão tem de ser afinada, sem desperdícios. Qualquer equívoco ou desperdício gera prejuízo. Além disso, são contratos com preços fixos, sem reajustes, então todo o custo desses atrasos recai sobre os empresários. Outra questão que nos aflige é que estes operários que estão sendo demitidos, em grande parte, trabalhavam em obras no interior do Ceará, como Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Quixadá, Quixeramobim, Crateús, Sobral, Itapipoca, Canindé, entre outros. Isso amenizava os problemas da estiagem prolongada, movimentando a economia destes locais”, destacou o presidente do Sinduscon-CE.

Com informações do OE


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