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Caso Enem: Governo “brinda” ministro, diz procurador sobre erros de Haddad na Educação

Procurador da República diz que Haddad sabia da extensão do vazamento das questões do Enem, mas sonegou informações. Foto: Reprodução TV Jangadeiro

O procurador da República, Oscar Costa Filho, disse nesta quarta-feira (25) que o agora ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, tinha conhecimento de que o vazamento de questões era maior do que o inicialmente divulgado. Segundo ele, o sigilo das provas foi providenciado pelo Ministério da Educação para proteger “atos irregulares do administrador”.

Polítização
Oscar Costa Filho também reagiu as declarações do presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Paulo Roberto de Oliveira Lima, que afirmou existir uma “politização das questões relativas ao Enem”.

Brinde
O Procurador cearense disse que concorda com a tese da politização, mas sugeriu uma outra origem para o fato. “Tá havendo sim uma politização por parte do governo Federal que tornou essa questão uma questão política na sua mais alta esfera. Normalmente nós temos no sistema presidencialista de governo, ministros que deveriam brindar presidentes, agora temos presidentes brindando ministros“, disparou Costa Filho.

Haddad Candidato
Fernando Haddad deixou o ministério da Educação na tarde de ontem para disputar a prefeitura de São Paulo nas eleições de 2012.

Sistémico
Oscar Costa Filho disse ainda que “o ministro (Haddad) qusi dizer que o problema era pontual. Não é pontual, a coisa é sistémica”.

Cadernos
O Ministério Público Federal entrou, na Justiça nesta terça-feira (24), com pedido de acesso ao pré-teste do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicado no colégio Christus em 2010.

Em entrevista, o procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, disse que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) terá até 72 horas, assim que a solicitação seja acatada, para apresentar o material.

Informações sonegadas
O procurador afirmou que o Ministério da Educação sabia do vazamento, e que o órgão “sonegou a informação na hora de tomar a suas decisões. A informação só veio à tona no inquérito policial”. Ele disse que o próprio ministro Fernando Haddad conhecia o caso, “claro que sabia”, pontuou.

Vazamento
Após análise, foi constatado que 14 questões que estavam nos exames prévios, aplicado para os alunos do colégio Christus de Fortaleza, foram utilizadas nas provas do Enem do ano passado.

Dias antes do exame, a instituição também distribuiu apostilas com os itens para alunos concludentes do ensino médio e cursinho pré-vestibular. Segundo o procurador, cerca de 32 provas diferentes do pré-teste foram produzidas e mais questões podem ter sido copiadas.

Culpa do MEC
Oscar Costa Filho acusou o MEC pelo vazamento, “isso é de uma irresponsabilidade do Ministério da Educação sem precedentes. Vazando o pré-teste, vaza a prova, o relatório revela que qualquer caderno tinha itens coincidentes com a prova”.

Enem de abril
Ele disse que a edição de abril do Enem, cancelada na última sexta-feira (20), não será realizada pela falta de itens pré-testados, “o banco de questões não tem itens pré-testados suficientes para realizar o Enem”.

Redação
O procurador da República falou sobre a liminar do TRF 5 que negou o acesso à correção das redações do Enem, “não querem divulgar as redações para que a sociedade não veja as arbitrariedades que foram cometidas”.

MEC
Procurada pelo portal Jangadeiro Online, a assessoria de comunicação do Inep disse que só vai se pronunciar quando for notificada oficialmente.

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