Entrevista

“Não se pode gastar com o que não dá resultado”, diz prefeito do Eusébio

“Não se pode gastar com o que não dá resultado”, diz prefeito do Eusébio. Foto: Nayana Melo para o OE
“Não se pode gastar com o que não dá resultado”, diz prefeito do Eusébio. Foto: Nayana Melo para o OE

Em entrevista ao jornal O Estado, o prefeito de Eusébio, José Arimatéa Lima Barros Júnior, revelou detalhes sobre seu primeiro mandado à frente da gestão do Município. Disse como tem feito para driblar a crise econômica e levado Eusébio a ser reconhecido nacionalmente pela agência de risco Austin Rating para a Revista Isto É, como a melhor cidade do País em Padrão de Vida, entre os municípios com até 50 mil habitantes.

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Aos 30 anos de idade, o médico cirurgião, formado pela Faculdade de Medicina do Planalto Central (Fameplac), ressalta ainda os principais projetos do Eusébio, avalia a gestão do governador Camilo Santana (PT), analisa o atual cenário político do Brasil e fala sobre as expectativas do pleito de 2016, quando deve disputar à reeleição para a Prefeitura. Acompanhe algusn trechos da entrevista:

O Estado – Com 30 anos de idade, o senhor está entre os prefeitos mais jovens do Ceará. Como descobriu a veia política?

José Arimatéia – Ingressei na vida política após formação médica. Eu sempre acompanhei os bons políticos, principalmente os de Eusébio como de meu tio, ex-prefeito do Município, Acilon Gonçalves. Após me formar em Brasília, fiz residência em cirurgia geral. Atuei como médico da Aeronáutica, então, logo recebi o convite para me candidatar à Prefeitura de Eusébio, dando continuidade à gestão de Acilon Gonçalves. Assumimos esse compromisso, de continuar algo que, de fato, revolucionou a cidade do Eusébio. Nós entendemos que há uma divisão no Município, antes e depois de 2005, com a chegada de grandes condomínios, grandes empresas de serviços que deram a Eusébio um norte de desenvolvimento da grande Região Metropolitana.

OE – Quais são as principais dificuldades na administração nesse tempo de crise econômica? Como tem conseguido driblar os problemas?

J.A – Eu costumo dizer que, quando se fala muito em crise, uma hora ela chega. Em Eusébio, procuramos com os recursos que nós temos, aplicarmos bem para melhor fazer para o nosso povo. É lógico que não deixamos de reconhecer e saber que os repasses a nível federal e estadual vem diminuindo ao longo do tempo, mas Eusébio, com a força política e desenvolvimento econômico que vem tendo, faz com que haja, ano após ano, uma atração de empresas, principalmente as que são ligadas ao serviço, atração de indústrias, gerando assim um maior número de arrecadação própria. É inegável que Eusébio, hoje, tenha uma arrecadação própria, bastante favorável, mas, como prefeito, reafirmo que o nosso maior compromisso é a boa aplicação desses recursos, para que esses serviços tidos pela Prefeitura possam ser otimizados com o passar dos anos. As principais dificuldades que temos dizem respeito à infraestrutura, saneamento básico e, principalmente, na segurança pública, que é um quadro nacionalmente difícil, apesar de a gente ter atuado bastante nos últimos anos. É preciso destacar que o Eusébio foi, há quatro anos, a primeira cidade que criou a Secretaria de Segurança Pública do Município.

Hoje, temos uma Guarda Municipal com 177 homens e, proporcionalmente falando, somos a maior Guarda entre municípios do porte de Eusébio, com até 50 mil habitantes. Temos um vídeomonitramento com as câmaras integradas com a Polícia Militar, e isso nos dá um melhor desempenho na área. Além disso, criamos o número 153, em que todos os munícipes que estão dentro de Eusébio possam ligar para a Guarda e fazer qualquer denúncia. É a primeira guarda municipal do Ceará a ter essa política.

OE – Quais são os projetos principais do Eusébio?

J.A – Nós temos acima de tudo, priorizado as áreas mais importantes como saúde, educação e geração de emprego e renda. Isso faz com que a cidade tenha um alto desenvolvimento independente, quando a maioria não tem empresas de serviços, indústrias e arrecadação própria, ficando na dependência do Governo Estadual ou do Governo Federal. Nós não podemos gastar com aquilo que não dá resultado, por exemplo, o transporte público, nós usamos aproximadamente 0,7% do orçamento municipal, isso é uma boa aplicação para o benefício da sociedade. Agora, como já falei, é entendível que um município do interior em que a dependência é direta do FPM [Fundo de Participação dos Municípios] e de uma pequena parcela do ICMS [Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação], faça com que, de certa forma e com razão, seja difícil de se gerir e prover o mínimo de serviço de que uma cidade precisa. Em Eusébio, a sua política de desenvolvimento econômico, tendo em vista a proximidade com a Região Metropolitana, nós conseguimos, ano após ano, atrair empresas, o que gera uma arrecadação para que possamos fazer o dever de casa e ter uma menor desigualdade social. No município, você não encontra nenhum pedinte na rua. Logicamente, nós temos pessoas de baixa renda, o que significa que os serviços sociais de grande vulnerabilidade estão sendo atendidas. O nosso diferencial é que temos atuado de maneira conjunta. Outro fator importante é que as tomadas de decisão, geralmente, elas envolvem as diferentes secretarias e órgãos do Eusébio, para que a gente tenha um direcionamento único, sólido, logicamente pensando sempre naquilo que nós temos, onde queremos chegar e se temos como fazer, após a tomada de decisão.

OE – Como avalia a gestão do atual governador Camilo Santana? Ele tem aberto o diálogo com os prefeitos, isso tem facilitado aos administradores no que diz respeito ao conseguir mais recursos?

J.A – Acredito e confio muito no trabalho que o governador vem desenvolvendo, mas, logicamente, as dificuldades financeiras também acontecem no Governo do Estado. O período no Brasil não são de recursos fartos, mas o fato de o governador Camilo Santana dar espaço para escutar os prefeitos, as demandas de seus municípios, com certeza isso fará, em um espaço curto de tempo, uma atuação melhor do Governo do Estado para com os municípios cearenses. É preciso destacar que o Ceará mudou desde a gestão do ex-governador Cid Gomes, com a construção de policlínicas, escolas profissionalizantes, dando um norte para o Estado. Nós esperamos que o cenário mude e que essa situação de crise econômica passe o mais rápido possível.

OE – Qual a importância do prêmio de Melhor Cidade em Padrão de Vida para o Eusébio, após estudo realizado pela agência de risco Austin Rating para a Revista Isto É? O que levou o município a aparecer nesse ranking ?

J.A – Essa premiação veio em um momento muito especial e veio para coroar toda uma história da qual estamos falando, de sucesso, de uma boa administração pública. A consultoria Austin, que avaliou 212 indicadores sociais, de saúde, educação, de boa aplicação de recursos públicos, nos apontou como a cidade de porte pequeno de melhor padrão de vida. Esse é um grande reconhecimento de toda uma boa gestão. Quando nós falamos de Educação, vale ressaltar que Eusébio tem, há alguns anos, todas as suas escolas em tempo integral; em saúde, nós temos pelo terceiro ano consecutivo a menor mortalidade infantil; no transporte público, somos a única cidade do Norte e do Nordeste a ter transporte público gratuito. Hoje são nove linhas; quando assumimos, eram quatro. Esses ônibus rodam em toda a cidade de forma gratuita para as pessoas que moram ou trabalham no Município. Essa premiação veio para reafirmar todos esses serviços, que nós tivemos oportunidade para otimizá-los e, acima de tudo, consolidá-los dentro de uma cidade que está dentro da Região Metropolitana de Fortaleza e que enfrenta diversos problemas.

OE – Com relação à política, o senhor buscará reeleição? Como avalia a política nacional, esse cenário de crise deve interferir nas eleições de 2016?

J.A – Eu costumo falar que missão dada é missão cumprida. Enquanto o Município tiver interesse e quiser que o nosso grupo político esteja à frente do Eusébio, assim será. É muito cedo para falar em eleição, mas estou engajado naquilo que me comprometi há dois anos e meio em fazer, e quando for o momento oportuno, falaremos em eleição e continuidade de um trabalho. A política passa por um momento triste com esses casos de corrupção, mas temos que separar duas situações: aquilo que vem sendo investigado, do nosso Brasil. Em momento algum, não podemos atrapalhar o desenvolvimento econômico do País, a solidez de que o Brasil precisa, principalmente para os nossos municípios, em detrimento em algo que está sendo investigado e vai ter a sua conclusão no âmbito judicial. Tenho a opinião de que a presidente Dilma Rousseff precisa concluir o seu mandato. Nós não podemos ser contrários no que diz respeito aos resultado das urnas. Somos um país democrático e não podemos deixar de reconhecer que a presidente Dilma Rousseff foi eleita pelo voto popular e democrático. O Brasil é um país extenso, vitorioso e não pode ficar parado por conta de uma crise que, em sua grande maioria é política.

Com informações do OE


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