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Nos jornais: Dilma diz que Lupi só fica se explicar emprego duplo

O ministro Lupi na pose da presidente Dilma Rousseff, por quem já declarou um sonoro "eu te amo".

A presidente Dilma Rousseff disse na quinta-feira (01) ao ministro Carlos Lupi (Trabalho) que a única chance de ele permanecer no cargo até a reforma ministerial é fornecer explicações “convincentes” sobre o fato de ter ocupado, simultaneamente, dois cargos públicos por quase cinco anos. O acúmulo ilegal, na Câmara dos Deputados em Brasília e na Câmara Municipal do Rio, foi revelado pela Folha ontem e resgatou no governo a disposição de vê-lo fora da Esplanada.

Lupi se reuniu ontem com Dilma no Planalto para falar sobre a recomendação da Comissão de Ética de exonerá-lo, decisão que irritou a presidente. Antes da reunião, ele disse a assessores em tom de brincadeira: “Estou pronto para voltar para casa”. Lupi saiu da conversa ainda ministro, mas com a determinação de se defender não só da questão do duplo emprego, mas também da recomendação da Comissão.

Leia ainda: Comissão de Ética Pública recomenda a Dilma demissão de Carlos Lupi  

No governo, espera-se uma definição até o início da próxima semana. Dilma retorna de uma viagem à Venezuela no domingo, quando voltará a tratar do assunto. Procurado, o ministro não se manifestou ontem. Sua assessoria não informou quando ele entregará suas justificativas para o Planalto.

Parecer de comissão desagrada Planalto
O parecer da Comissão de Ética da Presidência da República que recomendou a exoneração do ministro Carlos Lupi (Trabalho) gerou desconforto no Planalto e contrariou a presidente Dilma. A indicação surpreendeu o governo tanto pela decisão quanto pela velocidade com que o órgão analisou o caso.

Além de reavivar as pressões para que Dilma demita seu sexto ministro suspeito de corrupção, o ato ocorreu quando a presidente já havia decidido só trocar o comando da pasta em janeiro, na reforma ministerial. O mal-estar chegou a tal ponto que interlocutores palacianos apostam numa reformulação na comissão a partir de junho. Em 2012, 3 dos 6 conselheiros podem ter seus mandatos renovados, desde que a presidente aprove.

Outros dois integrantes terão de deixar o posto. O único com mandato garantido até 2013 é Sepúlveda Pertence, presidente do colegiado. A equipe de Dilma viu excessos na condução do caso Lupi. Após a reunião que recomendou a exoneração dele, a presidente foi informada de que o grupo teria feito piada sobre o ministro durante o encontro.

Da Folha.com