Com a palavra
Atualizado em: 02/05/2011 - 1:15 pm

*Por Marcelo Mendes

Mais uma vez, como acontece a cada dois ou quatro anos, volta a pauta política e virou a “agenda do país” a necessidade e debates em torno de uma reforma política. Como no passado, perdoem o exercício de adivinhação, nenhuma mudança verdadeiramente séria e profunda acontecerá.

Isto porque a lógica eleitoral brasileira é a do princípio da anterioridade, ou seja, para vigorar nas eleições do ano que vem, todo o pacote de mudanças deverá estar aprovado até 30 de setembro deste ano, o que, admitamos, seria tarefa de parar o Brasil ( nunca demais lembrar que a criação de duas Comissões , uma no Senado e outra na Câmara Federal, dificultou muito a possibilidade de aprovação de uma reforma. O que vier do Senado para Câmara será naturalmente objeto de emendas e tudo volta para reanálise no Senado)

Enquanto se discute o que não acontecerá, políticos e mídia tradicional deixam de perceber a verdadeira reforma político eleitoral que já está acontecendo no Brasil: A importância e impacto da internet e , em especial das redes sociais, nas eleições.

Como ocorrido nas últimas eleições presidenciais norte americanas, onde até as doações de campanha aconteceram via internet ( somente a do vitorioso Barack Obama arrecadou a fantástica cifra de 500 milhões de dólares), e na campanha tupiniquim do candidato a Prefeitura do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, que não distribuiu os tradicionais “santinhos” de papel, somente realizou propaganda via internet, realizando, assim, o que se convencionou chamar de a “primeira campanha limpa” do país, cada vez mais e com velocidade cada vez maior, a internet determinará os rumos dos resultados eleitorais muito mais que o voto facultativo, distrital, as listas partidárias ou qualquer outra alteração na legislação tradicional.

Em um eleitorado como o de Fortaleza, por exemplo, onde 32% dos eleitores tem entre 16 e 25 anos, geração cuja fonte principal de informações e contatos é a internet e redes sociais (Facebook, Twitter,Orkut, Msn etc), é flagrante a força decisiva desses novos instrumentos da modernidade.

Os políticos do século XXI, ou pelo menos aqueles que terão sucesso, serão os que souberem usar e se comunicar bem na internet. O eleitorado cansou, não esperará pela reforma política tradicional , nem pelo cansado modelo de fazer campanha até hoje utilizado, está fazendo sua própria revolução. É o virtual ganhando o espaço do real e vencendo a demora do mundo legal. Quem não entender, perderá bonde da história.

*Marcelo Mendes é vereador de Fortaleza, graduado em direito (UNIFOR), Administração de Empresas e Administração Pública (UECE), estudante de jornalismo (FIC), e Presidente Estadual do PTC no Ceará.

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