Com a palavra

Opinião: Entre a luz do poste e a escuridão das urnas

Momento repeteco – Aproveito a coluna, ainda em fase experimental, para concentrar em um só espaço e, ao mesmo tempo, dividir com vocês alguns textos que escrevi para o Portal Jangadeiro On Line.  Neste, o assunto é a disputa pela prefeitura de Fortaleza em 2012.

Segue o texto publicado no dia 28 de fevereiro de 2011:

Está clara a intenção da prefeita Luizianne Lins de dar “luz” a um dos “postes” que pretende colocar na rua como opção para sucedê-la em 2012.

Prefeito interino
Durante os dez dias de férias da prefeita da capital, Acrísio Sena (PT) encarnou o papel de gestor interessado. Homem de ação que se empenha em acompanhar o drama da população e conhecer as demandas do município que “administra”. Em três dias fez, ou pelo menos mostrou fazer, mais do que Luizianne faria em três meses. Acrísio abriu diálogo com vereadores de oposição, visitou obras, chamou à responsabilidade os coordenadores de postos de saúde da capital, ciceroneou um ministro, concedeu dezenas de entrevistas, isso pra citar só um pedacinho da agenda. Em resumo: Acrisio mostrou que agora Fortaleza tem…. PREFEITO!

Até aí tudo bem. É legítimo. Luizanne se antecipa e mexe as peças no complicado xadrez eleitoral. Ponto para ela. Acrisio, fiel aliado, aproveita o espaço e tenta angariar simpatia de todos os lados.

Oposição aplaude
Resultado: a oposição caiu na lábia do bom gestor e comemorou a ascensão de Acrísio Sena desde o primeiro dia. “Ele deveria passar mais dez, mais vinte, ficar logo por lá e assumir o lugar da prefeita”, disse um dos principais opositores da petista na Câmara Municipal. O que a oposição não entende é que é justamente isso que Luizianne deve comemorar. As críticas a atual gestão podem ter efeito na eleição de 2012, mas Luizianne não é candidata e a apresentação de um sucessor que “trabalha” pode minimizar a influência indireta da avaliação negativa que Luizanne vem acumulando diante de parte do eleitorado.

Ao mesmo tempo, PCdoB, PDT e PCS gritam a necessidade de ter candidatura própria. Partidos menores como PHS, PTC, PCB, PSTU e PMN também pode surgir no cenário. Uns para cobrar a fatura de apoios anteriores, outros para garantir espaço futuro na administração caso decidam “abrir mão da candidatura”. Há também os que apenas querem dar vizibilidade ao partido e ampliar a bancada na Câmara Municipal.

Poucas opções
Não dá pra esquecer de Moroni Torgan (DEM), que ainda pode pintar por aqui. Isso mesmo. É pouco provável que dispute as eleições municipais, mas se o fizer, não será propriamente uma supresa. Enquanto isso o PSDB continua perdido. A oposição ficaria mesmo só com o Psol, que não possui envergadura para, em uma eleição nos moldes atuais, fazer frente ao bloco governista.

Se os demais atores políticos insistirem em permanecer sem enxergar o início das mobilizações do processo eleitoral, o fracasso é certo e a única luz do fim do túnel será a do poste que Luizianne já garantiu eleger.

Testes e disputas
Se a oposição não mostra força, Luizianne tem preocupação de sobra com aliados e correligionários. O governador e presidente do PSB, Cid Gomes, por exemplo, já disse disse que pretende apoiar o candidato indicado pelo Partido dos Trabalhadores desde que este não seja “um poste”. Volto ao tema no próximo artigo.


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