Luto

Pioneiro no jornalismo de dados, Cláudio Weber Abramo morre aos 72, em SP

Pioneiro no jornalismo de dados, Cláudio Weber Abramo morre aos 72, em SP

Um dos maiores especialistas em combate à corrupção do país, o jornalista paulistano Cláudio Weber Abramo morreu na noite deste domingo (12) aos 72 anos em São Paulo.Abramo foi editor de economia da Folha de S.Paulo (1987) e secretário-executivo de Redação da Gazeta Mercantil (1987-88).

Contribuiu com outras publicações como o jornal Valor Econômico. Em 2017, cofundou a Dados.Org, organização dedicada à coleta, organização e disseminação de informações provenientes do poder público.

Abramo era filho de Cláudio Abramo, um dos mais importantes jornalistas de sua geração, que dirigiu a Folha e o Estado de S.Paulo. Sua mãe, Hilde Weber, foi a primeira chargista mulher da imprensa brasileira, cuja obra o filho vinha trabalhando para organizar em um acervo com acesso do público.

Abramo deixa quatro filhos, Luis Raul e João Baptista, do casamento com Sílvia Pompeia, Lucas e Caio, do casamento com Maria Augusta Fonseca, e a enteada Isabel, do casamento com Cristina Penz. Tinha seis netos, Tomás Antônio, João Pedro, Guilherme, Manuela, Maria Luísa e Mariana.

Velório
Abramo será velado na Funeral House, na rua São Carlos do Pinhal, 376, e cremado nesta segunda-feira (13) no crematório da Vila Alpina, a partir das 14h30. Internado no Hospital Samaritano, ele não resistiu a complicações do tratamento de um câncer no intestino.

Mestre
Formado em matemática pela USP, mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Abramo cofundou em 2000 e comandou por quase 15 anos a Transparência Brasil. Entre os projetos da Transparência, o Excelências, banco de dados sobre o histórico da vida pública de parlamentares, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2006.

Pioneiro
Abramo foi pioneiro no jornalismo de dados com o projeto Às Claras, plataforma que organizava e disponibilizava gastos das eleições. Sua atuação foi fundamental para a aprovação da Lei de Acesso à Informação, com a pressão feita pela Transparência Brasil e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) para que o projeto fosse sancionado. Com espírito crítico e questionador, instigava jornalistas a perseguirem a informação sem se conformarem com as burocracias impostas pelo poder público. Mesmo tratando o câncer, Abramo​ se manteve em atividade. Em artigo publicado pela Folha no dia 20 de julho, tratou dos riscos de a lei de proteção de dados pessoais dificultar o acesso à informação e ampliar arbitrariedades.

Com informações da Folha


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