Polêmica

Programa Mais Médicos é vazio e totalitário, dizem médicos

Roberto Luiz d'Ávila é presidente do Conselho Federal de Medicina
Roberto Luiz d’Ávila é presidente do Conselho Federal de Medicina

Entidades médicas criticaram o Programa Mais Médicos, lançado na segunda-feira (8) pelo governo federal. Segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Ávila, as medidas não resolverão o problema da saúde no Brasil, que precisa de mais qualidade e não mais quantidade.

O conselho defende um aumento no orçamento da saúde e mais estrutura. “É um programa vazio e sem consistência, onde faltou a solução definitiva, e não medidas paliativas e eleitoreiras”, disse o médico.

Atendimento
D’ávila afirma que o atendimento não vai melhorar nos próximos anos com o aumento de médicos. “A população não pediu mais médicos. O governo inventou isso, depois de um gerenciamento incompetente, vem colocar a culpa dizendo que faltam médicos. É maldade colocar a responsabilidade que os médicos não querem ir ao interior. Queremos ir, mas falta estrutura. É impossível trabalhar se falta agulha, medicamento. É um sofrimento muito grande”, disse.

Piso
Em nota, a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) informou que o piso salarial dos médicos, estipulado pela própria entidade, é R$ 10.412 para 20 horas semanais de trabalho. Enquanto isso, o programa prevê pagamento de bolsa de R$ 10 mil para 40 horas semanais.

Revalida
Para a Fenam, o Mais Médicos é exploração e precarização do trabalho médico, além disso, a entidade critica a contratação de médicos formados em outros países sem que sejam aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas (Revalida). “Abster-se do Revalida é mais um artifício para manter mão de obra escrava, pois o profissional fica retido em uma certa localidade, sem poder se afastar”, diz o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira, em nota.

Irresponsável
Outra nota divulgada por várias entidades médicas, entre elas o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira, diz que a vinda de médicos estrangeiros sem aprovação no Revalida é uma medida irresponsável e expõe a parcela mais carente e vulnerável da população aos riscos decorrentes do atendimento de profissionais mal formados e desqualificados.

Sem garantia
As entidades também ressaltam que o formato de contratação de médicos é “sem garantias trabalhistas expressas, com contratos precários e com uma remuneração não compatível com a responsabilidade e exclusividade”.

Estudantes no SUS
Os médicos ainda desaprovam a criação do segundo ciclo do curso de medicina, medida que vai exigir a atuação de alunos que entrarem no curso de medicina a partir de 2015 por dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o diploma.

“Trata-se de mais uma forma de exploração do governo quando aborda a extensão do curso de medicina, pois as últimas etapas da graduação exigem o estágio e, após a graduação, o formando ainda dedica de três a cinco [anos] em especializar-se em uma residência médica”, disse em nota o presidente da Fenam.

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Mobilização
A entidade divulgou que na quinta-feira (11), se reunirá com todas as lideranças sindicais do país para traçar os próximos passos do movimento contra o Mais Médicos e não descarta ações judiciais e uma possível greve.

Com informações da Agência Brasil


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