Bastidores

PT se reúne para definir postura sobre segunda gestão de RC

Elmano de Freitas afirmou que defenderá oposição da gestão de RC, mesmo admitindo que os grupos são aliados na esfera estadual. Foto: Máximo Moura
Elmano de Freitas afirmou que defenderá oposição da gestão de RC, mesmo admitindo que os grupos são aliados na esfera estadual. Foto: Máximo Moura

O Diretório municipal do PT se reunirá, nesta segunda-feira (05), e deverá iniciar definição sobre sua posição oficial na sequência do governo do prefeito Roberto Cláudio (PDT), reeleito este ano para mais uma gestão de 4 anos à frente da Prefeitura de Fortaleza.

A tendência é que a sigla decida por manter-se afastado da gestão, mesmo sendo aliado na esfera estadual com o PDT. O governador Camilo Santana, no entanto, deve não comparecer à reunião. Segundo interlocutores ligado ao governo, sua ausência “não influenciará na decisão”.

Oposição
No primeiro mandato de Roberto Cláudio, o PT de Fortaleza tirou uma resolução afirmando sua oposição à gestão do prefeito, entretanto, nos bastidores, já se comenta a possibilidade de abertura de um diálogo com o prefeito reeleito, em função da aproximação com o PDT, em prol da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

“Não tivemos nenhuma tratativa com ele [Roberto Cláudio]. Imagino que possamos começar a discutir o assunto. Vamos fazer a defesa já inicial de que o partido deve fazer oposição. Afinal, o PT é oposicionista ao prefeito Roberto Cláudio. Alguns companheiro fizeram a campanha do prefeito, numa leitura que a campanha do [Capitão Wagner] fortalecia as lideranças políticas que apoiam o Michel Temer, mas, mesmo os que apoiaram, fizeram um apoio crítico. E aqueles que fizeram uma campanha pela neutralidade. Então, a posição que mais identifica o partido é de oposição”, frisou o presidente municipal da sigla e deputado estadual, Elmano de Freitas.

Divergência
Dois representantes eleitos do Partido dos Trabalhadores (PT) para o próximo mandato na Câmara Municipal de Fortaleza divergem sobre a posicionamento da legenda diante a gestão do prefeito reeleito Roberto Cláudio (PDT), conforme já mostrou o jornal O Estado. De um lado, Guilherme Sampaio frisa que não há argumentos para modificar atual postura de oposição. Do outro, Acrísio Sena chama atenção para as alianças do pleito de 2018. O petista, inclusive, já manifestou seu posicionamento publicamente na tribuna da Câmara.

Elmano, entretanto, garante que o assunto internamente não causa divergência. “Na verdade, até agora, que eu ouvi falar, o único que estaria defendendo a posição de apoio ao prefeito seria o vereador Acrísio. Ainda não ouvi nenhuma força ou liderança defendendo esta posição. A princípio, até aqui, tenho uma posição isolada do vereador Acrísio”, explicou ele.

Disputa eleitoral
No segundo turno das eleições, com o PT fora da disputa, a direção municipal liberou os filiados e várias lideranças e militantes apoiaram a candidatura de Roberto Cláudio, somando-se ao governador Camilo Santana que declarou seu apoio desde o primeiro turno e não pode ser cobrado porque em 2014, a deputada federal Luizianne Lins não apoiou a candidatura dele ao Governo do Ceará.

Camilo
A ausência do governador Camilo Santana nas discussões não é nenhuma surpresa. Conforme o jornal o Estado já havia mostrado, na primeira quinzena de novembro, o diálogo do governador com o PT foi “rompido” a “algum tempo”, segundo o próprio gestor que admitiu problemas com a permanência na sigla. De acordo com o Camilo, a legenda, nos últimos atos, caminhou contrário a conjuntura política, o que causou mal-estar na relação. Camilo, no entanto, ainda não confirmou sua possível desfiliação e nem fala sobre negociações para uma possível mudança de sigla. Segundo ele, as articulações vão acontecer “no momento oportuno” quando haverá o debate sobre o assunto e a possibilidade de deixar o PT.

“Rompemos com o Partido dos Trabalhadores a algum tempo, inclusive, agora na eleição de Fortaleza, onde meu candidato era o prefeito Roberto Cláudio, já defendia isso ainda no primeiro turno e depois no segundo turno e, mesmo assim, o partido decidiu pela neutralidade. Acho que terá o momento certo para discutir e avaliar. Importante é que a gente possa honrar e cumprir os compromissos com o povo do Ceará, que me deu a honra de governar este Estado”, disse Camilo, em entrevista ao programa Expresso em Pauta, da jornalista Kézya Diniz, no mês passado.

E ainda
Durante a disputa eleitoral deste ano, Camilo chegou a criticar a indicação de um nome da sigla à Prefeitura, classificando de “errada e precipitada”, e defendeu que o assunto deveria ter tido mais debatido. Questionado se considerava a opção de deixar, Camilo novamente desconversou sobre o assunto e afirmou que “todas as minhas energias estão dedicadas aos desafios do Ceará. Essa tem sido minha grande preocupação e melhorar este momento de dificuldades”. Sem dar detalhes, no entanto, Camilo admitiu ter recebido convite de inúmeros partidos.

Com informações do OE


Curtir: