Bastidores

Renúncia, exoneração e racha na base marcam disputa pela presidência da AL

Zezinho Albuquerque e Sérgio Aguiar seguem na articulação em busca dos “indecisos”
Zezinho Albuquerque e Sérgio Aguiar seguem na articulação em busca dos “indecisos”

Uma eleição que até pouco tempo era vista com tranquilidade pelo Governo e seu principal aliado, o PDT, ganhou novos contornos. A receita era simples: o PDT realizava seu processo de maturação interna para oferecer o nome de Zezinho Albuquerque na disputa de mais um mandato como presidente da Assembleia Legislativa como nome oficial da base aliada.

Mas se a disputa na AL sempre contrastou com a da Câmara Municipal de Fortaleza devido à aparente calmaria, articulações recentes transformaram o cenário, tornando-a incerta. O deputado Sérgio Aguiar resolveu entrar no páreo, criando um “racha” na base do governo Camilo Santana. O parlamentar já avisou que não abre mão da disputa. O atual presidente Zezinho Albuquerque também não. O dois, então, seguem na articulação.

A conta não fecha
Para mostrar força, os dois têm utilizado as redes sociais para anunciar os apoios, mas a conta não fecha.De um lado, Zezinho contabiliza 34 dos 46 votos para reeleição. Do outro, Aguiar garante ter 18 deputados. Se fossem confirmados os votos dos dois candidatos à presidência, significaria dizer que a AL teria 52 integrantes – oito a mais do que as 46 cadeiras.

A traição e o grupo de cinco parlamentares de oposição, porém, podem ser os fiéis da balança na disputa pelo comando do Poder Legislativo.

Sem otimismo
Apesar do apoio recebido por Zezinho após reunião com o governador Camilo Santana, o ex-governador Cid Gomes, até mesmo o prefeito Roberto Cláudio, os aliados não saíram do encontro transbordando otimismo, tampouco favoritismo. “Nosso objetivo era que não houvesse disputa, mas já que há duas candidaturas irreversíveis, iremos trabalhar pela oficial, que é do deputado Zezinho Albuquerque”, frisou o vice-líder do Governo na AL, deputado Júlio César Filho (PDT). Atualmente, a base de Camilo possui 32 parlamentares, mas apenas 20 declararam apoio a Zezinho Albuquerque. Além deles, o pedetista poderá contar com o apoio de João Jaime (DEM).

Exoneração
Mesmo com as manifestações de líderes partidários, Sérgio ganha reforço. Odilon Aguiar (PMB) pediu exoneração da secretaria de Agricultura da gestão Camilo Santana para retornar à Assembleia. Assim, ele retira de cena um aliado de Zezinho, o deputado Dr. Santana (PT). Odilon faz parte do grupo liderado pelo PSD-PMB-PEN-PCdoB-PRP que é pró-Sérgio Aguiar. Ao jornal O Estado, o deputado Odilon Aguiar não confirmou nem negou a reunião com o ex-governador Cid. Nos bastidores, circula a informação que Cid teria convidado o grupo para uma conversa hoje.

Interferência
Odilon explicou que a candidatura de Aguiar vem sendo articulada há um certo tempo e grupo já deliberou sobre seu apoio. Questionado se a conversa com Cid irá interferir na decisão numa mudança na decisão, Odilon afirmou que, caso haja o encontro, o fato não modificará a orientação do grupo, embora considere legítima a articulação de Cid em prol de Zezinho. “A decisão foi tomada em conjunto com todos os parlamentares”, disse ele. Odilon retorna à Casa hoje.

Renúncia
Quem também retorna ao cargo na Assembleia é o deputado Leonardo Araújo (PMDB) que assumirá a vaga deixada por Carlomano Marques (PMDB). Na segunda-feira (28), o peemedebista protocolou sua renúncia. Carlomano foi eleito prefeito de Pacatuba. Ele assume o cargo em janeiro de 2017.

Leonardo Araújo disse ter sido surpreendido pela atitude do correligionário. Inclusive, a informação foi dada pessoalmente por Carlomano na casa de sua irmã, a vereadora Magaly Marques (PMDB). Sobre a sucessão da Mesa Diretora, Araújo afirmou que os seis peemedebistas votarão juntos “sob risco de responder processo disciplinar”.

No dia anterior
O grupo ligado ao deputado Capitão Wagner (PR) surge como um peso importante na soma de votos para a corrida pelo comando da AL. O bloco – de cinco parlamentares – irá se reunir na véspera da eleição justamente para tratar do tema. Segundo o deputado Carlos Matos (PSDB), o bloco só definiu que votará unido. “Estamos esperando a deputada Aderlândia Noronha (SD) retornar e conversaremos na quarta-feira”, afirmou, lembrando que os parlamentares resolveram se unir, pois, na disputa anterior, acabaram ficando isolados. O bloco é formado, além de Matos e Wagner, pela deputada Fernanda Pessoa (PR) e Ely Aguiar (PSDC).

Com informações do OE


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