Câmara dos Deputados

Terceirização aprovada na Câmara divide bancada cearense

Chico Lopes diz que aprovação vai trazer sérios prejuízos aos trabalhadores

A bancada cearense na Câmara Federal, mais uma vez, se dividiu ao votar matéria de interesse do Governo Temer. Na quinta-feira (23), o dia foi de repercussão dos diferentes posicionamentos dos deputados durante a votação do projeto que libera a terceirização do trabalho até nas atividades-fim das empresas. Sete parlamentares votaram a favor da proposta, 10 votaram contra e cinco se abstiveram da votação.

Mesmo sob protestos, a Câmara dos Deputados acatou o projeto na última quarta-feira (22). O texto foi aprovado com 231 votos favoráveis e 188 contrários. Agora, o projeto segue para sanção presidencial.

Silêncio
Da bancada cearense, os deputados Ariosto Holanda (PDT), Danilo Forte (PSB), Macedo (PP), Raimundo Gomes de Matos (PSDB) e Vitor Valim (PMDB) se abstiveram da votação. Em ano pré-eleitoral, os que votaram a favor da matéria, evitaram manifestações em defesa do voto, uma vez que a matéria é polêmica e tem sido duramente criticada por movimentos sociais e sindicais.

Trabalho
Nas redes sociais, o deputado Vaidon Oliveira (DEM) foi um dos poucos a justificar o posicionamento. Em poucas palavras ele afirmou que, atualmente, o Brasil possui 13 milhões de desempregados e, por isso, apresentou voto favorável a matéria. “Existem milhões de pais de família desempregados que preferem ter um emprego, mesmo que seja terceirizado”, disse.

Lopes
Já entre os críticos, o clima foi de indignação. O deputado Chico Lopes (PCdoB) foi contrário ao projeto e declarou que a aprovação vai trazer sérios prejuízos aos trabalhadores. “Com terceirização aprovada, Congresso e Temer rasgam a Carteira de Trabalho do brasileiro e oficializam trabalho precário”, disse ele, acrescentando que a proposta provocará “uma onda de precarização que terá graves efeitos sociais em todo o Brasil”.

Luizianne
Na mesma linha, a deputada Luizianne Lins (PT) classificou a matéria como “mais um pacote que retira direitos da classe trabalhadora desse país e que piora muito as condições de trabalho. Mais uma vez, querem que as trabalhadoras e os trabalhadores paguem esse pato” e citou como exemplo as novas relações na área da educação. “Imagine você: uma escola contrata uma empresa que fornece professores para dar aula aos seus filhos. O vínculo entre professor e escola passa a não mais existir. As relações de trabalho pioram, pois profissionais terceirizados têm menos direitos garantidos”, publicou a petista nas redes sociais.

Guimarães
O deputado José Guimarães (PT), que também votou contra a matéria, disse que a proposta precariza as relações trabalhistas. “Só quem ganha com esse projeto é o capital”, afirmou o líder da minoria, acrescentando que, daqui em diante, as relações trabalhistas estão prejudicadas e convocou a população a se manifestar contra as medidas que retiram direitos.

Votação
Olhando para a bancada cearense, a votação foi a seguinte: 10 contra, sete a favor e cinco abstenções.

SIM
Adail Carneiro (PP)
Aníbal Gomes (PMDB)
Domingos Neto (PSD)
Genecias Noronha (Solidariedade)
Gorete Pereira (PR)
Paulo Henrique Lustosa (PP)
Vaidon Oliveira (DEM)

NÃO
André Figueiredo (PDT)
Cabo Sabino (PR)
Chico Lopes (PCdoB)
José Airton Cirilo (PT)
José Guimarães (PT)
Leônidas Cristino (PDT)
Luizianne Lins (PT)
Moses Rodrigues (PMDB)

ABSTENÇÕES
Ariosto Holanda (PDT)
Danilo Forte (PSB)
Macedo (PP)
Raimundo Gomes de Matos (PSDB)
Vitor Valim (PMDB)


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