Fortaleza

Vereadoras confirmam precariedades em visita à Delegacia da Mulher de Fortaleza

Vereadoras confirmam precariedades em visita à Delegacia da Mulher de Fortaleza. Foto: Assessoria

Vereadoras de Fortaleza visitaram na manhã desta terça-feira (27) a Delegacia da Mulher e constataram a situação precária para o atendimento à população.

A atividade foi coordenada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal por oportunidade da Semana de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. A vereadora Eliana Gomes (PCdoB) é a presidente da Comissão.

Precário
As parlamentares foram recepcionadas pela delegada titular Rena Ximenes, que apresentou o quadro precário de atendimento da delegacia, ao passo que há uma grande demanda reprimida. Segundo a delegada, hoje são em média 60 boletins de ocorrência novos por dia, criando uma fila de mais de 1.200 inquéritos policiais abertos.

“Não há espaço para detenção dos agressores, ficando eles algemados nos corredores da Delegacia”, afirmou Ximenes, que destacou ainda a falta estrutura para atendimento primário, como serviços emergenciais para mulheres fisicamente agredidas e profissionais preparados para atender esse tipo de situação, como psicólogos e assistentes sociais.

Ocorrências
Só neste ano, o equipamento já contabiliza 10.886 ocorrências e 176 mulheres foram assassinadas até este mês, números que já superam os dados de 2011. “Mas, mesmos com essas dificuldades, já prendemos 4.500 homens”, completou a delegada.

Necessidade
Eliana Gomes argumentou que o ideal seria ter pelo menos cinco delegacias da mulher funcionando em Fortaleza, com a perspectiva de regionalização do atendimento, além das delegacias contarem com orçamento próprio, para que possam encaminhar despesas específicas, como transporte de agredidas para a Rede de Enfrentamento, formada pelos Centros de Referência da Mulher e os juizados especiais.

Nova sede para Delegacia
Segundo Rena Ximenes, já existe o indicativo do Governo do Estado de disponibilizar uma nova sede para a Delegacia, com espaço para comportar as demandas de atendimento diferenciado e cárcere provisório de agressores, além de copa, creche e outras demandas administrativas. A policial também disse ainda que resta ser trabalhado o aumento da equipe e a qualificação do orçamento da unidade. “O que temos hoje são apenas 36 profissionais, que se dividem nesse grande trabalho, assim como viaturas que compramos por meio de edital federal que vencemos, junto à Secretaria Especial da Mulher do Brasil”, declara.

Secretaria de Segurança será notificada
Eliana Gomes disse que as visitas às unidades da rede de defesa dos direitos da mulher em Fortaleza serão organizadas em um relatório da Comissão de Direitos Humanos e as informações serão encaminhadas em forma de notificação, com o timbre do Parlamento Municipal, para que cada órgão de estado diretamente responsável pelos equipamentos autuados, dentro da administração pública estadual e municipal.

Audiência
No caso específico da situação da rede de segurança pública no tocante a mulher a Fortaleza, como o funcionamento precário da Delegacia, será alvo de audiência a ser marcada com a Secretaria Estadual de Segurança do Ceará, quando serão cobradas providências urgentes. “Não ficaremos caladas enquanto as mulheres de Fortaleza morrem. É um dever do Estado, seja qual for a esfera, defender a vida das pessoas, especialmente as mais vulneráveis”, enfatizou Eliana Gomes.

Quem foi
Além da líder do PCdoB na Câmara, estiveram presentes as vereadoras eleitas Germana Soares e Ba, assim como a suplente da atual legislatura, Fátima Melo.

Próxima visita
A próxima unidade a ser visitada será o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Fortaleza, no dia quatro de dezembro, a partir das nove da manhã. O Juizado fica localizado na Av. da Universidade, 3288.


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